PM exigiu drogas e arma para não prender homem em abordagem, diz MPSP
Um relatório do Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou supostas irregularidades cometidas por PMs em Piracicaba, no interior

Um policial militar (PM) teria exigido drogas e um fuzil para não prender um homem durante uma abordagem, em Piracicaba, no interior paulista, em janeiro deste ano. A informação foi revelada por um relatório do Ministério Público de São Paulo (MPSP) elaborado com relatos de vítimas de supostas irregularidades cometidas por PMs.
No dia 13 de janeiro, esse homem relatou ao MPSP que foi abordado por PMs no dia anterior e um dos policiais teria apontado a arma para ele e dito que o mataria na frente de seus familiares. Os agentes teriam exigido que ele entregasse o “mocó” de suas drogas e, caso não fizesse, ele apanharia e seria preso junto com sua esposa.
O homem teria dito que não possuía drogas, então o policial exigiu a delação de um traficante para que ele pudesse ser liberado. No entanto, a vítima de abuso de autoridade novamente negou ter conhecimento para poder informar o agente.
Conforme a denúncia, os policiais não pararam de pressionar e disseram que a condição do abordado ser solto naquele momento era a de entregar 10 kg de maconha e uma arma de fogo em até dois dias, quando eles novamente estariam na escala de serviço e poderiam entrar em contato pelo celular. O homem aceitou o acordo para ser liberado com a família.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNos dias seguintes, os PMs entraram em contato com o homem para reforçar o “compromisso” que o abordado teria aceitado. Prints das mensagens mostram que, durante a conversa, os policiais teriam dito que não queriam mais a maconha (“a verde”), mas cocaína (“a branca”), bem como um fuzil.
Por conta da mudança do combinado, a vítima pediu mais tempo para entregar os itens. “Dia 20 alguém vai te chamar. Esteja com tudo na mão”, teria escrito um policial.
Diante das evidências apresentadas pelo homem ao MPSP, a Promotoria de Justiça encaminhou ofício à Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo para eventuais providências a serem tomadas dada a natureza militar dos fatos em questão.
Em resposta, a Corregedoria informou que houve cumprimento de mandados de busca e apreensão contra 10 policiais militares, em 11 de fevereiro de 2026. Ao todo, 17 aparelhos celulares, três pen drives, um cartão de memória e um bloco de anotações foram apreendidos para averiguação.

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Ver todasO relatório do MPSP constatou que a taxa de letalidade policial em Piracicaba era menor do que a do estado em 2024, mas passou a estar acima em 2025. No documento, foram apontadas divergências entre depoimentos dos agentes com as provas obtidas durante as investigações.
O material foi encaminhado para a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Comando-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Comando de Policiamento do Interior (CPI-9), 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior, Delegacia Seccional de Polícia de Piracicaba (Polícia Civil), Polícia Técnico-Científica – Instituto de Criminalística/IML, Direção do Foro da Comarca de Piracicaba e para a Secretaria Executiva da Promotoria de Justiça Militar.
Procurada pela reportagem, a SSP ainda não se pronunciou sobre o assunto. O espaço segue aberto.






