Planilhas de "contador do PCC" mostram repasses de propina a policiais
Documento obtido pelo Metrópoles mostra como pontos de vendas de drogas operam e revela repasses que teriam sido feitos a agentes públicos

São Paulo – Durante a prisão de Leandro Leite Silva, nesta terça-feira (20/10), que seria um dos principais nomes do setor financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), a Polícia Civil recolheu planilhas que mostram a suspeita de alguns repasses terem sido feitos pela organização criminosa a agentes públicos.
Um relatório da Polícia Civil, ao qual o Metrópoles teve acesso, mostra um balanço das planilhas que foram encontradas com Leandro, nas quais é feito o monitoramento de pontos de venda de drogas nas zonas norte e leste da capital paulista, na Grande São Paulo e no interior.

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Ver todasParte desses documentos encontrados revela pagamentos recorrentes que, segundo o relatório da Polícia Civil, teriam sido feitos a agentes públicos — identificados nas planilhas como “força”,”rocam”,”spim”,”taboão”,”civil centro” e “militar”.
O ponto de venda de drogas identificado como “Equador/Punto”, que era o maior da rede, registrou um total de R$ 34.200 distribuídos aos agentes públicos em 31 lançamentos no seu controle diário de caixa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPPara o que foi classificado como “civil centro” e “centro”, foram feitos os repasses individuais mais altos, fixados em R$ 2.020 cada. Para a “força”, foram pagamentos padronizados em R$ 1.220. “Rocam” e “Rocan” receberam pagamentos de R$ 1.220. À “spim”, os lançamentos oscilaram entre R$ 700 e R$ 1.220. Já “taboão” e “civil taboão” receberam somente pagamentos padronizados em R$ 720.
Em outras lojas, por exemplo, na que foi identificada como “Palio”, foi registrado o pagamento fixo intitulado como “militar corola mensal” no valor de R$ 3.000. No ponto chamado de “Santa Fé” estava registrado o repasse “militar 15/15”, indicando periodicidade quinzenal dos pagamentos.
O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) por um pronunciamento sobre o caso, mas não obteve retorno até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Lucros altos
O documento também revela que o lucro dessas operações de vendas de drogas atingia cifras milionárias. Na semana do dia 12 a 19 de outubro, a rede de tráfico registrou um faturamento bruto de aproximadamente R$ 2,24 milhões (R$ 2.235.001) e um lucro líquido de R$ 1,51 milhão (R$ 1.507.809,88), operando cerca de 40 pontos de venda ativos em apenas sete dias.
Em um período de duas semanas, o faturamento bruto chegou ao total de R$ 4,72 milhões, gerando um repasse líquido de R$ 3,21 milhões ao nível superior do esquema em apenas 14 dias. As vendas de sexta-feira e sábado concentram o maior fluxo do movimento, com média diária superando o valor de R$ 50 mil — contra R$ 31,1 mil nos dias de menor movimento (segunda e terça-feira).
Hierarquia e operação
Os pontos de vendas de drogas utilizam nomes de marcas de carros, como “Punto”, “Palio”, “Fusquinha”, “Meriva”, “Logus” e de países: “Afeganistão”, “Itália”, e “Brasil”.
O dinheiro líquido arrecadado pelas lojas é repassado para o nível chamado “FM SP”, que segundo indica o documento, seria a “alta cúpula da organização”, e é dividido em regionais com os nomes Daniel, Isac e Lúcio, todas subordinadas a uma liderança denominada “Final”. Os vendedores na ponta do processo, chamados de “vapores”, ficam com 15% do valor bruto e os gerentes dos pontos com 5%.
O grupo também pagaria aluguéis de imóveis e taxas chamadas “ajuda morador” (valores de geralmente R$ 200, como aponta o relatório) para manter “casas-cofre”, que são casas de recebimento, locais de embalagem, chamadas de “mesas de produção” e “casas guarda-notebook”, que seriam usadas para armazenar os computadores com a contabilidade.
As planilhas também detalham pagamentos a “motocas”, “batedores”, “campanas”, vigias que eram pagos entre R$ 100 e R$ 200/dia e auditores internos, que são apelidados como “auditor Oclinhos”.
Prisão de Leandro Leite Silva
Leandro Leite Silva foi preso nessa terça-feira (20/10), em um apartamento de alto padrão em Mongaguá, no litoral sul. Com ele, a polícia localizou planilhas revelando os lucros milionários de pontos de venda de drogas nas zonas norte e leste da capital paulista, na Grande São Paulo e no interior.
Silva foi preso dentro de um imóvel à beira-mar, no Jardim Aguapeú. Ele foi alvo de ação deflagrada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém. No local, segundo a polícia, foram encontrados dois notebooks, quatro celulares, um tablet e uma motoneta. Veja imagens do apartamento alvo da ação:






