PF investiga aplicações de previdência municipal de São Roque no Master
Operação cumpriu 9 mandados de busca e apreensão no âmbito de investigação sobre investimentos de R$ 80 milhões em Letras Financeiras
27/10/2026 08:52, atualizado 27/10/2026 08:58

São Paulo — A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (27/10), nove mandados de busca e apreensão relacionados a uma investigação contra possíveis fraudes no São Roque Prev, o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, no interior paulista. Os mandados foram cumpridos em São Paulo e Pernambuco.
A investigação apura investimentos de R$ 80 milhões em Letras Financeiras e de R$ 20 milhões em um Fundo de Investimento Imobiliário. Segundo a PF, as aplicações teriam sido amparadas por pareceres técnicos genéricos e sem fundamentação adequada, além de não considerarem processos administrativos sancionadores, análises comparativas de ativos disponíveis no mercado e a diversificação do portfólio.
Também há suspeita de que o processo decisório teria sido direcionado, com os emissores escolhidos antes mesmo da avaliação de riscos. O prejuízo estimado para o São Roque Prev é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor bloqueado em desfavor dos investigados.
Os suspeitos poderão responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e peculato financeiro.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPInvestimento do São Roque Prev no Master
Conforme publicado pelo Metrópoles, o comitê de investimento do São Roque Prev entendeu como uma “boa oportunidade de negócio” aprovar por unanimidade um investimento de R$ 93,2 milhões em letras financeiras do Banco Master.
A decisão sobre o aporte ocorreu em fevereiro de 2024 e os pagamentos foram feitos em sete parcelas, entre abril e setembro daquele ano. No parecer técnico apresentado ao comitê, foi calculado um retorno de R$ 12,7 milhões com o investimento.

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Ver todasÀ época, o colegiado optou por trocar os ativos que possuía junto ao BTG pelos do Master, após um parecer favorável feito por uma consultoria particular.
A coluna Demétrio Vecchioli, no entanto, revelou que a Previdência municipal adulterou a ata sobre o risco de investir no Master.
Apesar de um relatório elogioso ao Master, a primeira versão da ata, produzida no dia seguinte da reunião e enviada à Câmara Municipal, ao Ministério da Previdência e a outros órgãos de controle, dizia que os membros do comitê entenderam que o Master “trará risco ao SRPrev”.
A ata publicada no site – e arquivada fisicamente na sede da SRPrev – diz o contrário: que o entendimento foi de que o Master era um banco que “não aumentará risco”.
Os aportes do São Roque Prev no Master viraram tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal. O relatório final não responsabiliza nenhuma autoridade do município e culpa o Banco Central por “se omitir no seu dever fiscalizador” e gerar um “ponto cego regulatório” que causou grandes prejuízos ao instituto de previdência local.
O relatório também aponta que a empresa Crédito e Mercado, responsável pela consultoria, tentou reduzir sua atuação a “mera emissão de pareceres formais” para validar decisões já tomadas, minimizando os riscos de se investir no Master, alegando que o mercado tinha ciúme do desempenho do banco e que o governo federal “jamais deixaria um banco quebrar”.
Proporcionalmente, São Roque é o município mais afetado por investimentos sem garantia na instituição de Daniel Vorcaro.
