
Demétrio VecchioliColunas

Câmara de São Roque (SP) terá CPI para investigar aportes no Master
Instituto de previdência de São Roque investiu R$ 93 milhões em letras financeiras sem garantias do Master
atualizado
Compartilhar notícia

A Câmara Municipal de São Roque terá uma CPI para investigar os aportes feitos pelo instituto de previdência municipal em letras financeiras sem garantias do Banco Master. O São Roque Prev é, proporcionalmente, o mais afetado pelas fraudes do banco de Daniel Vorcaro.
Os R$ 93 milhões investidos no Master representam quase 20% de todo o dinheiro do São Roque Prev, o instituto que gere a previdência de servidores e aposentados do serviço público municipal. O máximo permitido em ativos do tipo é exatamente 20%.
Nesta terça-feira (28/4), Dani Castro (PSD), única mulher na Câmara Municipal da cidade, protocolou o pedido de CPI com quatro endossos, dos vereadores Diego Costa (PSB), Rafael Tanzi (Republicanos), Paulinho Juventude (PSOL) e Marquinho Arruda (PL).
A base do prefeito Guto Issa (PSD) vinha trabalhando para impedir que qualquer dos 11 vereadores do grupo desse o apoio que faltava. E ele veio de Tanzi, após a operação da Polícia Federal da semana passada que mirou o instituto de previdência de Santo Antônio da Posse, também por investimentos no Master. Os dois institutos têm consultoria da Crédito e Mercado.
A CPI deve investigar “possíveis irregularidades na gestão administrativa, documental, financeira e decisória do da São Roque Prev, com especial enfoque em fatos ocorridos entre 2024 e 2026, relacionados a aplicações financeiras vinculadas ao Banco Master, investimento realizado no Fundo de Investimento Imobiliário Nest Eagle, atuação de consultorias privadas e divergências documentais em atas”.
Esta coluna revelou existirem duas atas da reunião que autorizou o investimento da São Roque Prev em letras financeiras do Master. Uma das atas, produzida no dia seguinte à reunião e enviada a órgãos de controle, diz que os conselheiros concluíram que o Master traria risco ao SRPrev – e compraram as letras mesmo assim. A outra ata, publicada no site do instituto, relata que os conselheiros entenderam que investir no Master não aumentaria o risco.
