Alvo da PF, Trustee é acusada de blindar Gafisa em conluio com Master
A gestora Trustee é apontada em ações judiciais como engrenagem de “complexa estrutura societária de ocultação patrimonial” de construtora
atualizado
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Em um processo de cobrança de uma dívida de pouco mais de R$ 1 milhão da construtora Gafisa, uma herdeira do grupo Klabin, gigante do setor de celulose, acusou a gestora Trustee de blindar o patrimônio da construtora. A gestora é investigada pela Polícia Federal (PF) no escândalo do Banco Master e pela Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apura o uso de fundos de investimentos para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A petição da família Klabin afirma que o fundo Bergamo, gerido pela Trustee, fez parte de uma estrutura criada para proteger os interesses da Gafisa e de seu acionista controlador de fato, o investidor Nelson Tanure. Aponta um suposto conluio entre a Gafisa, o Master e a Trustee para simular garantias (alienações fiduciárias) sobre as cotas do fundo Bergamo, visando torná-las impenhoráveis perante outros credores na Justiça.
No processo, a herdeira apontou que a própria Trustee reconheceu que a Gafisa é a única detentora do fundo Bergamo. Para provar a afirmação, os advogados anexaram a resposta da gestora em um processo em que a Polo Capital reivindicou uma dívida de quase R$ 25 milhões da construtora.
Neste caso, a Trustee resistiu a transferir o recurso do fundo sob o argumento de que os valores estavam alienados ao Master. Até que em junho de 2024, a Polo e a Gafisa fizeram um acordo para resolver o débito.
“A exequente ressalta, desde logo, que todos esses argumentos revelam a existência de uma complexa estrutura (societária) de ocultação patrimonial, criada maliciosamente pelas devedoras para se esquivar do cumprimento de suas obrigações”, diz o processo.
Pessoas que acompanharam o processo de perto dizem que a estrutura foi criada pelo advogado Daniel Monteiro, preso na última quinta-feira (16/4) pela PF, junto com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. O escritório ao qual ele é associado entrou com embargos de terceiros, representando o Master, e afirmando que o fundo estava alienado fiduciariamente ao banco de Vorcaro.
Depois de quase dois anos de litígio, a herdeira da Klabin teve decisão favorável do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), determinando a penhora de 5% do faturamento da Gafisa, até o limite de R$ 1,3 milhão, valor do débito, em outubro do ano passado.
Em seu site, a Trustee afirmou que “pauta sua atuação pela estrita observância do arcabouço legislativo aplicável e das normas emanadas pelos órgãos reguladores e autorreguladores do mercado financeiro e de capitais, adotando as melhores práticas de mercado em compliance, gestão de riscos e governança”.
