PF apreende dinheiro e relógios em ação que afastou prefeito tiktoker
Material foi encontrado na casa do amigo de infância do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), o empresário Marco Mott, que foi preso
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A Polícia Federal (PF) apreendeu dinheiro vivo e uma coleção de relógios na casa do empresário Marco Silva Mott, preso durante a segunda fase da Operação Copia e Cola, na manhã desta quinta-feira (6/11), em Sorocaba, no interior paulista. Mott é amigo de infância do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que foi afastado do comando da cidade por ordem judicial.
Entre as imagens do material apreendido, parte do dinheiro aparece dentro de cofres — um deles dentro do guarda-roupa do empresário. As fotos também mostram dezenas de relógios, de diferentes modelos.
Mott foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Federal em Sorocaba. Em nota, a defesa do empresário afirmou que a prisão é uma “medida desnecessária” e que Mott sempre esteve à disposição das autoridades.
“O decreto judicial de prisão deu-se em virtude de conjecturas e suposições da Polícia Judiciária. A defesa irá esclarecer os equívocos”, afirmam na nota os advogados Antonio Pitombo e Beatriz de Oliveira Ferraro Caloi.
Operação da PF
- A operação da PF investiga irregularidades em contratos da saúde da Prefeitura de Sorocaba. Dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
- Além dos mandados, a Justiça também determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens de investigados, no valor aproximado de R$ 6,5 milhões, e a aplicação de medidas cautelares como suspensão de função pública e proibição de contato com determinadas pessoas.
- Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal.
- O prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) foi afastado do cargo. No lugar dele, assume agora o vice Fernando Costa Neto (PSD).
- A ação desta quinta-feira é um desdobramento da primeira fase da Operação Copia e Cola, deflagrada em abril deste ano, com o objetivo desarticular uma organização suspeita de desvios de recursos públicos na área da saúde por meio de contrato emergencial e termo de convênio destinados à gestão de unidades de saúde.
- Segundo a PF, a análise do material apreendido na primeira fase da operação permitiu identificar novas pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas no esquema, que são alvos das diligências realizadas nesta quinta.
Em nota sobre seu afastamento, a defesa de Manga diz que está adotando as medidas jurídicas cabíveis para “corrigir e reformar” o que chamou de ilegalidade. O texto afirma que a investigação da Polícia Federal de Sorocaba foi iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade “manifestamente incompetente”, sendo, portanto, nula.
“Além disso, é fruto de perseguição política, não havendo nada de concreto a relacionar o prefeito nesse inquérito policial. Ademais, indiscutivelmente temerário o afastamento do prefeito baseado em ilações sobre supostas irregularidades investigadas. Os supostos fatos remontam ao ano de 2021, o que demonstra a ausência de qualquer contemporaneidade capaz de colocar em risco a continuidade do exercício do legítimo mandato do chefe do Executivo Municipal”, diz a nota, assinada pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Garcia Borragine, André Mendonça Bialski, Flávia Maria Ebaid, Julia Zonzini e Victória Lee.
Buscas na casa do prefeito
Em abril, além da sede da Prefeitura de Sorocaba, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). O ex-secretário municipal de Saúde Vinicius Rodrigues também foi alvo de buscas da PF.
De acordo com a PF, a investigação teve início no ano de 2022, após suspeitas de fraudes na contratação de uma Organização Social para administrar, operacionalizar e executar ações e serviços de saúde no município de Sorocaba.
Foram identificados atos de lavagem de dinheiro, por meio de depósitos em espécie, pagamento de boletos e negociações imobiliárias.
Também foi determinado o sequestro de bens e valores no total de até R$ 20 milhões e a proibição da Organização Social (OS) investigada de contratar com o poder público.
Na época, em nota, o prefeito Rodrigo Manga disse que “a operação acontece em um momento de grande projeção da cidade e do nome do prefeito Rodrigo Manga no cenário nacional”.
Em outra nota, a defesa de Manga afirma que não há elementos que relacionem o prefeito a atos ilícitos e diz que a PF “tenta proceder a ilegal ‘pesca probatória’ para investigar a pessoa, o que é vedado por nossa legislação. A defesa vê tal ato com enorme preocupação, justamente porque não se pode permitir que se faça uso político de nossa força policial, induzindo o Poder Judiciário em erro”.



























