PF prende 2 em Sorocaba em operação contra desvios na área da saúde
Operação desta quinta (6/11) é desdobramento de ação feita em abril, quando foram cumpridos mandados na Prefeitura e na casa do prefeito
atualizado
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A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta quinta-feira (6/11), dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Sorocaba, no interior de São Paulo, em uma operação que investiga irregularidades em contratos da saúde da Prefeitura do município.
Além dos mandados, a Justiça também determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens de investigados, no valor aproximado de R$ 6,5 milhões, e a aplicação de medidas cautelares como suspensão de função pública e proibição de contato com determinadas pessoas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal.
A operação é um desdobramento da operação Copia e Cola, que começou em abril deste ano, com o objetivo desarticular uma organização suspeita de desvios de recursos públicos na área da saúde por meio de contrato emergencial e termo de convênio destinados à gestão de unidades de saúde.
Segundo a PF, a análise do material apreendido na primeira fase da operação, deflagrada em 10 de abril de 2025, permitiu identificar novas pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas no esquema, que são alvos das diligências realizadas nesta data
Buscas na casa do prefeito
Na ocasião, em abril, além da sede da Prefeitura, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos). O ex-secretário municipal de Saúde Vinicius Rodrigues também foi alvo de buscas da PF.
De acordo com a PF, a investigação teve início no ano de 2022, após suspeitas de fraudes na contratação de uma Organização Social para administrar, operacionalizar e executar ações e serviços de saúde no município de Sorocaba.
Foram identificados atos de lavagem de dinheiro, por meio de depósitos em espécie, pagamento de boletos e negociações imobiliárias.
Também foi determinado o sequestro de bens e valores no total de até R$ 20 milhões e a proibição da Organização Social (OS) investigada de contratar com o poder público.
Ao todo, a operação da PF compriu 28 mandatos de busca e apreensão em Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Votorantim, Itu, São Bernardo do Campo, São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, Santos, Socorro, Santa Cruz do Rio Pardo e Osasco, todas no estado de São Paulo, além de um mandado de busca e apreensão na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia.
Na época, em nota, o prefeito Rodrigo Manga disse que “a operação acontece em um momento de grande projeção da cidade e do nome do prefeito Rodrigo Manga no cenário nacional”, diz a nota. “Não é a primeira vez na história que vemos ‘forças ocultas’ se levantarem contra representantes que se projetam como uma alternativa ao sistema e dão voz ao povo.”
Em outra nota, a defesa de Manga afirma que não há elementos que relacionem o prefeito a atos ilícitos e diz que a PF “tenta proceder a ilegal ‘pesca probatória’ para investigar a pessoa, o que é vedado por nossa legislação. A defesa vê tal ato com enorme preocupação, justamente porque não se pode permitir que se faça uso político de nossa força policial, induzindo o Poder Judiciário em erro”.
Desvios na Secretaria de Saúde
A Secretaria de Saúde de Sorocaba já havia sido alvo da Operação Parajás, no ano passado, quando a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na secretaria para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos ocorridos entre 2020 e 2023.
As investigações não focavam diretamente no prefeito, mas envolviam contratos firmados antes e durante a gestão de Manga, em especial pelo seu antigo secretário de Saúde Cláudio Pompeo. A suspeita é que esses contratos teriam sido direcionados a duas empresas e uma entidade assistencial, supostamente controladas por um ex-servidor público municipal.
“Prefeito do TikTok”
Apesar de ser um nome antigo na política sorocabana, recentemente Manga passou a alcançar o público jovem usando dancinhas e encenações para divulgar seus feitos à frente da administração municipal, o que lhe rendeu a atenção do meio político da direita paulista.
Os vídeos do prefeito se tornaram trends no TikTok. Um dos mais virais, sobre o passe livre concedido a estudantes da cidade, soma mais de 15 milhões de visualizações.
A fama faz com que Manga seja frequentemente procurado por outros políticos – inclusive pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que chegou a copiar um dos seus vídeos passeando de patinete pela cidade.





















