Pesquisadores da Unicamp criam curativo que acelera a cicatrização em 50%
Pesquisa da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp desenvolveu um curativo líquido e biodegradável aplicado diretamente na ferida

São Paulo — Pensando no desconforto causado pelos curativos tradicionais, que precisam ser trocados frequentemente, reduzem a mobilidade e podem machucar mais ainda quando retirados da ferida, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, criaram um curativo líquido biodegradável que pode acelerar a cicatrização em até 50%.
Os pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram uma tecnologia que cria uma película protetora transparente sobre o ferimento em menos de 1 minuto e que dispensa o uso de gazes ou esparadrapos colocados na ferida.
Em comparação aos métodos convencionais, que podem causar desconforto quando substituídos ou removidos e frequentemente arrancam o tecido novo em formação, atrasando o processo de cura, a tecnologia desenvolvida pela universidade mantém a cobertura do machucado de forma natural e elimina a necessidade de toque físico direto, o que contribui para acelerar o processo de cicatrização.
O curativo utiliza um polímero biocompatível com o corpo humano que, ao ser aplicado sobre o ferimento, seca em até 45 segundos, atuando como uma tecnologia 3D. No processo de cura do machucado, o organismo humano metaboliza naturalmente este polímero, sem a necessidade de retirada do curativo, que é absorvido pelo corpo.
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Ver todasA pesquisa foi coordenada pelo professor Rubens Maciel Filho, com a participação dos pesquisadores André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. Os especialistas destacam a eficácia do método para tratamento de ferimentos em regiões de dobras e articulações, preservando a mobilidade dos feridos.
O curativo sustentável é imperméavel à água externa, permitindo que os pacientes possam tomar banho sem a necessidade de cobrir a região. Por ser transparente, a tecnologia também permite que a pessoa acompanhe o processo de cicatrização sem precisar retirar a proteção.
Potencial para uso animal
Os pesquisadores da Unicamp acreditam que a tecnologia possui um potencial para ser usado no tratamento de ferimentos em animais, já que a maior parte dos métodos tradicionais costuma falhar porque os bichinhos arrancam ou lambem as feridas.
A tecnologia
O curativo tem licenciamento exclusivo para uma empresa-filha da Unicamp fundada por professores e egressos da instituição. O desenvolvimento da tecnologia contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Atualmente, os responsáveis pelo curativo buscam avançar nas etapas regulatórias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na estruturação comercial para que seja disponibilizado no mercado comercial. O grupo de pesquisadores avalia que, no futuro, a invenção possa ser usada na formulação de dermocosméticos para antienvelhecimento e no recobrimento de implantes e próteses.






