Filha da PM Gisele espera pensão; governo diz quando valor começa a ser pago
A PM Gisele Santana, morta com tiro na cabeça em fevereiro, deixou uma filha de 7 anos. Governo diz que pagamento de pensão será feito dia 8
atualizado
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Quase um mês após o pedido, a filha de 7 anos da policial militar Gisele Alves Santana, assassinada com um tiro na cabeça — crime que resultou na prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto — ainda aguarda na fila da São Paulo Previdência (SPPrev) para receber a pensão destinada a filhos de servidores falecidos menores de 18 anos. Ao Metrópoles, o governo de São Paulo informou que a análise do pedido já foi finalizada e o pagamento começará a ser feito no dia 8 de abril.
A solicitação de pensão para a filha da soldado Gisele foi protocolada no Instituto SPPrev, do governo de São Paulo, em 6 de março, com base na Lei Complementar 1.354/2020, que regulamenta a previdência dos servidores estaduais, conforme documento enviado pela família ao Metrópoles.
O benefício garante o sustento de dependentes de servidores falecidos, como filhos menores de 18 anos, e é calculado proporcionalmente ao tempo de contribuição à corporação. No caso da filha da policial, a pensão deve ser paga até que ela complete 18 anos, assegurando apoio financeiro após a perda da mãe.
Com base na legislação, que prevê até 120 dias para análise e concessão do benefício, a filha de Gisele ainda aguarda na fila do Instituto SPPrev pela pensão. Enquanto isso, na última quinta-feira (2/4), o Diário Oficial de São Paulo publicou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de atirar contra a cabeça da policial.
Ao Metrópoles, o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, explicou que a pensão só teve andamento após a repercussão pública: “Foi somente com a pressão da imprensa que o Estado se comprometeu a efetuar o pagamento. Antes disso, o pedido estava em análise, sem a mesma agilidade que se observou no caso do tenente-coronel, que se aposentou em menos de uma semana após o crime”.
Em nota, a SPPrev afirmou ao Metrópoles que manifesta solidariedade à família da policial militar Gisele Alves Santana e que o pedido de pensão por morte já foi analisado e aprovado dentro dos trâmites regulares, com o primeiro pagamento previsto para a folha de abril, no próximo dia 8. A SPPrev ainda ressaltou que o processo de pensão envolve validações administrativas e jurídicas próprias, diferentes dos procedimentos de aposentadoria da Polícia Militar, e que sua atuação se limita à gestão e ao pagamento dos benefícios previdenciários.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 18 de março. Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Aposentadoria do coronel
A decisão da Polícia Militar de aposentar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi publicada em meio às investigações que apuram a morte da esposa, a policial militar Gisele Santana. Preso e acusado de atirar contra a cabeça da companheira, o oficial passará a receber salário integral pago pela corporação, como forma de pensão.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP), informou que o coronel teve o salário suspenso desde a prisão, em 18 de março, e que a aposentadoria não impede a responsabilização penal ou disciplinar, podendo inclusive levar à perda definitiva do salário, caso haja decisão judicial.
Dados do Portal da Transparência mostram que, em fevereiro de 2026, o coronel recebeu salário bruto de R$ 28.946,81, além de um abono de R$ 2.995,43, valor cerca de quatro vezes maior do que o salário de Gisele, que era de R$ 7.222,33 mensais.
A aposentadoria foi oficializada na mesma semana em que o secretário da SSP, Osvaldo Nico Gonçalves, determinou a abertura de um conselho para avaliar a possível demissão do oficial da corporação.
Prisão do coronel
A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil no dia 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele. O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, exatamente um mês após a morte da esposa.
Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, na tarde de quarta-feira (18/3), o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de farda. Veja:

















