PCC na Faria Lima: “Tinha um vácuo para o crime”, diz Receita Federal

Secretário Especial da Receita Federal, Robson Barreirinhas disse que falta de regulação das fintechs favoreceu esquema do PCC

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Diogo Zacarias/MF
Imagem colorida do secretário especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Barreirinhas - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do secretário especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Barreirinhas - Metrópoles - Foto: Diogo Zacarias/MF

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto de destaque), afirma que o esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas do mercado financeiro está relacionado à ausência de regulação nas transações financeiras das fintechs.

Em entrevista à GloboNews na manhã desta sexta-feira (29/8), Barreirinhas disse que a Receita e o governo federal já tinham informações sobre o uso dessas instituições de pagamento pelo crime organizado: “Nós já sabíamos que, por conta desse vácuo, desse limbo regulatório, há um espaço que foi encontrado pelo crime organizado para utilizar essas instituições”, defendeu Barreirinhas.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada nessa quinta-feira (28), revelou que pelo menos duas fintechs eram usadas nas operações de adulteração de combustíveis e na lavagem do dinheiro envolvido no esquema.

PCC na Faria Lima: “Tinha um vácuo para o crime”, diz Receita Federal - destaque galeria
11 imagens
Operação Carbono Oculto
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
Cerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024
A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônio
Operação Carbono Oculto
1 de 11

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita Federal
Operação Carbono Oculto
2 de 11

Operação Carbono Oculto

Divulgação/Receita Federal
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
3 de 11

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita Federal
Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
4 de 11

Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

Divulgação/Receita Federal
Cerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024
5 de 11

Cerca de 1 mil postos movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024

Reprodução/ Globoplay
A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônio
6 de 11

A megaoperação descobriu que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas para ocultação de patrimônio

Reprodução/ Globoplay
São cumpridos cerca de 350 mandados de busca e apreensão a pessoas físicas e jurídicas em oito estados pelo país
7 de 11

São cumpridos cerca de 350 mandados de busca e apreensão a pessoas físicas e jurídicas em oito estados pelo país

Reprodução/ Globoplay
Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados
8 de 11

Operações financeiras por meio de fintechs dificultavam o rastreamento dos valores que eram transacionados

Reprodução/ Globoplay
Foram sonegados mais de R$ 7,6 bilhões  em impostos, segundo a megaoperação
9 de 11

Foram sonegados mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, segundo a megaoperação

Divulgação/Polícia Federal
Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança
10 de 11

Proprietários dos postos de combustíveis venderam seus estabelecimentos ao grupo criminoso e eram ameaçados de morte caso fizessem alguma cobrança

Divulgação/Polícia Federal
Há indícios de que lojas de conveniência e padarias também parcipavam do esquema
11 de 11

Há indícios de que lojas de conveniência e padarias também parcipavam do esquema

Divulgação/Polícia Federal
“O que foi revelado ontem [28/8], [é que] determinadas pessoas vão com milhões de reais em dinheiro e depositam em uma conta-bolsão, que é uma conta bancária da fintech em um instituição financeira comum. Aquela conta não está no nome do real beneficiário, só quem sabe o real beneficiário é a fintech e ela não revela para ninguém”, disse Robinson Barreirinhas.

Barreirinhas explica que essa opacidade retarda investigações contra esquemas criminosos. Depois da operação, o Ministério da Fazenda anunciou a publicação de uma normativa que enquadra esse tipo de empresa como instituições de pagamento.

Na prática, isso significa que elas terão que prestar contas de suas transações à Receita Federal. Isso deve automatizar a fiscalização e possibilitar a detecção automática de fraudes.

“Ontem, estávamos falando só de duas fintechs. Se nós tivéssemos mais informações nós poderíamos estar falando de 20, de 30. Nós falamos de R$ 50 bilhões movimentados na Operação Carbono oculto e mais de R$ 20 bilhões na outra. Se nós tivéssemos essa informação, poderíamos ter centenas de bilhões ”, completou o secretário.

Crise do Pix

A nova normativa do Ministério da Fazenda obedece a padrões internacionais de controle sobre transações financeiras e já era discutida pela gestão Lula. No início deste ano, a Receita já havia publicado a mesma norma pelo monitoramento sobre movimentações financeiras, mas precisou voltar atrás após uma crise de comunicação envolvendo o tema.

À época, começou a circular uma série de informações falsas que acusavam o governo de taxar o Pix e que as transações individuais seriam monitoradas. “Nós precisamos dar um passo atrás para evitar um problema financeiro. Mas essa decisão [da normativa] estava tomada porque nós não podemos ser reféns do crime organizado, nós temos acordos internacionais que obrigam o Brasil a prestar informações sobre transações suspeitas”, afirmou o secretário.

A repercussão da operação de quinta-feira possibilitou que a medida fosse finalmente implementada. “Esse é o momento de nós voltarmos a esse debate e exigir das fintechs nada além do sempre se exigiu de todas as instituições financeiras do Brasil”.

Devedores contumazes

Durante a entrevista foi mencionado um outro gargalo na legislação envolvendo os devedores contumazes, que são empresas ou pessoas físicas que deixam de pagar impostos de forma reiterada e sem justificativa.

O secretário da Receita explicou que a forma como a legislação hoje funciona faz com que pessoas que estão na cadeia da lavagem de dinheiro consigam fechar e abrir empresas antes que o MPSP consiga avançar em suas investigações.

“A grande maioria dos devedores contumazes estão em setores dominados pelo crime organizado. Há dois anos estamos falando de setores que o empresário não consegue entrar, porque ele não pode evidentemente concorrer”, disse o secretário.

Barreirinhas defendeu a aprovação do projeto de lei PLP 125, que instituiu um código de defesa para contribuintes, daria agilidade para o fechamento de empresas que estejam deixando de recolher tributos. Isso seria uma forma indireta de atingir o crime organizado e separaria o “mau contribuinte” do “bom contribuinte”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?