
Pavanato e Campopiano gastaram mais de 50% da verba de campanha com redes
Deputados eleitos mais votados em São Paulo, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano investiram mais em redes sociais do que em ações na rua
06/10/2026 02:15

Os candidatos a deputado estadual e federal mais votados em São Paulo investiram mais de 50% do valor gasto na campanha eleitoral para impulsionar conteúdos nas redes sociais. Ambos são do PL.
Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal, e Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual, investiram significativamente mais na comunicação digital do que em atividades na rua, presencialmente com os eleitores.
Lucas Pavanato, eleito deputado federal, gastou R$ 1,352 milhão com impulsionamento de conteúdos – o que corresponde a 50,02% do total de R$ 2.702.190,9 em despesas de campanha. Ele recebeu 3.038.438 votos, tornando-se o parlamentar com o maior número de votos já recebidos na história do estado.
Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual, investiu ainda mais nas redes sociais, em termos proporcionais. A atual vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, dedicou 61,13% do orçamento eleitoral para a disseminação de conteúdo na internet – ou R$ 400 mil de um total de R$ 654.315,52. Ela foi eleita com 1.956.238 votos, sendo a candidata ao Legislativo com mais votos em São Paulo nestas eleições.
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O montante gasto por Campopiano com impulsionamento em redes supera em mais de quatro vezes o valor gasto atividades de militância e mobilização de rua. Foram R$ 400 mil nas redes, ante R$ 94,3 mil na rua.
Já Lucas Pavanato investiu significativamente menos, do ponto de vista proporcional, com atividades “tete-a-tete” com o eleitor. Ele dedicou apenas 5,04% do orçamento eleitoral (R$ 136.142,00) com ações na rua – 10 vezes menos do que com ações nas redes.
As duas candidaturas foram financiadas majoritariamente pela direção nacional do PL. Pavanato recebeu R$ 3.082.120,04 para sua campanha, dos quais R$ 2,86 milhões (92,79%) vieram do PL.
Campopiano, por sua vez, teve R$ 755.187,79 para investir na campanha à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Desse total, R$ 700 mil (92.69%) saíram do PL. Ela também recebeu R$ 25 mil em doações do próprio Pavanato.

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Ver todasQuem é Lucas Pavanato
Aos 26 anos, Lucas Pavanato ganhou projeção política como militante do Movimento Brasil Livre (MBL), com o qual rompeu, e abraçou o bolsonarismo. Em 2024, ele foi eleito como o vereador mais votado da cidade de São Paulo, com 161.386 votos.
As principais pautas que Pavanato pretende levar para a Câmara dos Deputados são proibir terapia hormonais de transição de gênero em menores de 18 anos, fim das cotas raciais, cotas de gênero e cotas para a população trans, fim da maioridade penal em crimes hediondos, acabar com o aborto, privatização de empresas estatais e proibir pessoas trans em banheiros diferentes do sexo biológicos.
Nesse pleito, Pavanato protagonizou uma rivalidade com a deputada federal reeleita Erika Hilton (Psol), que se tornou a mulher mais votada na história da Câmara e projetava o topo do ranking paulista.
Pavanato atribui a alta votação à presença forte do conservadorismo em São Paulo. O novo deputado federal também ganhou popularidade por provocar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) com questões políticas. O parlamentar costuma montar uma mesa com cartazes. Em maio de 2025, o tema era “Bolsonaro é melhor que Lula! Prove o contrário”.
Na posição de vereador, ele apresentou 100 projetos de leis. Desses, apenas seis foram aprovados, outros 94 seguem em tramitação. Entre eles, a criação do Dia da Música Clássica nas escolas municipais; a troca de nome do viaduto Bresse-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keilla Ferreira; e inclusão na agenda da cidade o Dia Municipal de Combate a Violência Infantil.
Em março de 2026, o vereador protocolou proposta para acabar com as cotas raciais em concursos públicos municipais. Em substituição, seriam colocadas cotas para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
Quem é Eduarda Campopiano
Natural de Campinas, no interior de São Paulo, Eduardo Campopiano tem 23 anos e foi eleita vereadora de Praia Grande, litoral paulista, nas eleições municipais de 2024, tendo recebido 3.583 votos.
Entre 2025 e 2026, a jove foi autora de 20 projetos de lei no município, entre os quais, um que dispõe sobre a criação de um programa de prevenção à violência doméstica contra crianças e adolescentes e outro que proíbe a nomeação ou contratação, para determinados cargos e empregos públicos, de pessoas condenadas por crime sexual também contra crianças e adolescentes.
No perfil oficial no Instagram, a agora deputada estadual eleita se descreve como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”. Nas redes sociais, em que acumula mais de 2 milhões de seguidores, Campopiano já gravou conteúdos em que se diz contra o uso do termo “feminicídio”, apesar da alta de casos no estado.
Conservadora e cristã, Eduarda Campopiano já declarou publicamente ser contra o aborto e a favor da redução da maioridade penal. Também já afirmou que é contrária à política de cotas em concursos públicos e universidades.




















