Veja papel de cada policial civil em extorsão a sequestrador

Policiais civis de SP são alvos de operação que apura crimes de extorsão. Em um dos casos, eles exigiram R$ 1 milhão de sequestrador

atualizado

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Imagem colorida mostra viatura da polícia civil de São Paulo, que investiga golpes. Policiais são investigados por extorsão Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra viatura da polícia civil de São Paulo, que investiga golpes. Policiais são investigados por extorsão Metrópoles - Foto: Reprodução/SSP

Os quatro policiais civis de São Paulo investigados por extorsão qualificada e associação criminosa assumiram diferentes papéis em esquema que exigiu R$ 1 milhão de um suspeito para que ele não fosse forjado por tráfico de drogas.

Os alvos da Operação Quina, deflagrada nesta terça-feira (12/5), são os investigadores João Ruper Rodrigues, Tiago Henrique Sousa Carvalho, Roberto Castelano e Diogo Prieto Júnior – da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Carapicuíba e do 1º Distrito Policial de Taboão da Serra, ambos da região metropolitana de São Paulo.

Veja o papel de cada um:

  • João Ruper Rodrigues: principal interlocutor das cobranças e receptor do valor;
  • Tiago Henrique Sousa Carvalho: participou da abordagem inicial, das ameaças e da renegociação dos valores;
  • Roberto Castelano: chefiou a condução da vítima à Dise de Carapicuíba, onde ocorreu a extorsão;
  • Diogo Prieto Júnior: particioou da ação inicial e do recebimento do dinheiro.

Policiais exigiram R$ 1 milhão para não forjar suspeito

Fábio Oliveira Silva, envolvido no sequestro da mãe do ex-jogador Robinho em 2004 e vítima da recente extorsão, procurou por conta própria a Corregedoria da Polícia Civil. Ele relatou que foi abordado no último 2 de abril por homens que se identificaram como policiais civis.

Os investigadores ingressaram em sua residência sem mandado judicial e o conduziram à sede da Dise. Na unidade, ele recebeu ameaças de ser forjado por tráfico de drogas caso não pagasse R$ 1 milhão.

O primo de Fábio, Eder Wilson de Jesus Silva, pagou R$ 303 mil após negociação. O dinheiro foi entregue em uma padaria de Barueri e contabilizado na Dise.

As ameaças, no entanto, persistiram por contatos telefônicos, mensagens e áudios enviados pelos investigados. Uma nova rodada de investigações chegou ao valor final de R$ 500 mil e o estabelecimento de prazos para pagamento.

Além de prestar depoimento, as vítimas reconheceram formalmente os policiais envolvidos na extorsão e apresentaram mensagens e áudios enviados pelos investigadores.

A investigação ainda utilizou  sistemas de monitoramento veicular (Detecta/Muralha Paulista) que indicaram a presença e deslocamento de veículos vinculados às vítimas e aos investigados em locais e horários compatíveis com os fatos narrados, especialmente na data do pagamento em Barueri. Os policiais teriam usado carros particulares.


Operação Quina

  • A Operação Quina, da Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo, investiga suspeitas de extorsão qualificada e associação criminosa armada envolvendo investigadores da corporação.
  • A ação ocorre com apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
  • Os investigados são alvos de mandados de prisão temporária, busca e apreensão e medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça, como o bloqueio de até R$ 2 milhões.
  • Durante a operação, agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que serão analisados ao longo das investigações.

O Metrópoles não localizou a defesa dos acusados. O espaço está aberto para manifestação.

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