Operação Verão: perícia de menor morto pela PM foi feita 1 ano depois

Perícia do local onde Fabio Cardoso, de 16 anos, foi realizada em janeiro de 2025, após uma série de cobranças do MPSP.

atualizado

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Viela que leva a local em que adolescente foi morto
1 de 1 Viela que leva a local em que adolescente foi morto - Foto: Reprodução

A perícia do local onde o adolescente Fábio Cardoso de Araújo foi morto pela Polícia Militar em São Vicente, no litoral paulista, durante a Operação Verão, demorou quase um ano para ser realizada. O jovem, de 16 anos, foi alvo de dois disparos de pistola .40 no abdômen, em um suposto confronto com uma equipe do 39º Batalhão do Interior, no dia 9 de fevereiro de 2024.

Dias antes, em 3 de fevereiro, o soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo havia sido morto durante incursão na comunidade do Mangue Seco, em Santos. O homicídio deu origem à ação mais violenta da PM desde o massacre do Carandiru, com 56 mortes em comunidades da Baixada Santista em um intervalo de dois meses.

Fabio Cardoso de Araújo foi morto em uma área de mata na comunidade Vila Voturá. Segundo a polícia, o local seria um ponto de venda de drogas. Os PMs afirmaram em depoimento que a área chegou a ser isolada, mas por algum motivo não esclarecido a perícia deixou de ser realizada. Segundo eles, não ficou claro se essa teria sido uma determinação do delegado responsável.

Ao longo do ano passado, os promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitaram cinco vezes a anexação nos autos do laudo pericial do local do crime, até serem informados de que o exame não havia sido realizado.

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Caminho San Martin, São Vicente
Visão aérea do Morro do Itararé
Indústria próxima ao local
Morro do Itararé, São Vicente
Beco 109, São Vicente
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Morro do Itararé, São Vicente

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Um perito do Instituto de Criminalística compareceu ao local dos fatos em 31 de janeiro de 2025. Na ocasião, ele se limitou a fazer fotos da comunidade e do caminho percorrido pelos PMs até o local do suposto confronto.

No relatório do IC, o perit0 afirma que “devido ao lapso temporal entre a data do fato e a data do comparecimento, não havia mais nenhum tipo de preservação, guarnição ou representante legal” que pudessem indicar a dinâmica exata do ocorrido.

“No sentido de apresentar elementos que possam oferecer subsídios essenciais ao requisitante e aos demais interessados, este Perito Criminal Relator apresenta uma descrição do local dentro das possibilidades impostas pela situação”, afirma.

O laudo sobre o local se limita a uma descrição detalhada e fotos das ruas que dão acesso à área de mata: General San Martin, Caminho San Martin e Beco 109. Não há indícios de que ele soubesse ou tenha ido até o local onde Fabio foi morto.

Homicídio

Os policiais militares acusados pelo homicídio de Fábio Cardoso de Araújo foram o sargento Luiz Henrique da Silva Goes, que teria efetuado dois disparos, e os soldados Rafael Araújo Paixão e Giovanni Belline, que teriam dado 1 e 2 tiros respectivamente. O trio não usava câmeras corporais

Em seus depoimentos, eles disseram que receberam via Copom a informação de que naquela região havia pessoas armadas traficando drogas. Ao chegarem a uma área de mata, teriam avistado dois indivíduos correndo em sua direção. Um deles estaria armado e atirou contra a equipe, que revidou.

Fábio foi socorrido pelo Samu ao Pronto Socorro Central de São Vicente, onde teve o óbito confirmado.

A versão não foi questionada pelos promotores. O processo sobre a morte de Fabio Cardoso de Araújo foi arquivado em 15 de abril de 2025, em conjunto com o procedimento investigatório criminal (PIC) do Ministério Público de São Paulo.

Arquivamento em massa

Em julho, o MPSP manteve o arquivamento dos inquéritos que investigavam a atuação dos policiais militares envolvidos nas operações Escudo e Verão, que deixaram 84 mortes na Baixada Santista, segundo números oficiais.

O arquivamento foi ratificado pela Justiça. Durante as investigações, foram realizadas oitivas de 92 pessoas, além de 330 filmagens analisadas e 167 interrogatórios, de acordo com a promotoria. No total, foram oferecidas sete denúncias contra 13 policiais militares.

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