Nunes troca projeto de VLT por bonde com “trilho virtual” em SP
Ricardo Nunes (MDB) anunciou que projeto do “Bonde São Paulo” será feito por meio veículo com “trilho virtual” (VLE) ao invés do VLT
atualizado
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A Prefeitura de São Paulo não vai mais implementar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para ligar terminais, estações e principais pontos da região central. O projeto segue de pé, mas agora será usado um Veículo Leve Elétrico (VLE), uma espécie de “bonde digital”, sem trilhos físicos, só virtuais, sobre pneus, normalmente em meio ao trânsito compartilhado, como o que está em operação na Região Metropolitana de Curitiba desde dezembro.
O anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) nessa segunda-feira (13/4) durante a entrega do Terminal Varginha, na zona sul da capital paulista.
“A gente encaminhou essa semana para o Tribunal de Contas do Município (TCM) um documento que dá o processo inicial com relação à implantação do VLE. A gente tinha um pré-estudo de R$ 4,1 bilhões. Readequamos, agora caiu para R$ 2,1 bilhões”, afirmou, em entrevista coletiva.
Segundo Nunes, foi uma limitação do terreno que impediu a adoção do VLT, batizado pela administração municipal de “Bonde São Paulo”. “Iria fazer sobre trilhos, mas trilhos tem que ter no máximo nove graus em todas as pistas. A gente tinha que colocar isso com sete graus [dois a menos que o limite]. Obviamente, ficava muito arriscado você colocar trilho. Tomou-se partido do VLE sobre rodas, que é igual está sendo feito em vários locais”, afirmou.
Caso saia do papel e ganhe as ruas, o “Bonde São Paulo” deverá ter duas linhas, com um total de 12 km e 27 estações. A estimativa inicial é a de que transporte 130 mil passageiros diariamente.
Questionada nesta terça (14/4) pelo Metrópoles, a prefeitura respondeu, por meio da SP Urbanismo, que a principal diferença entre o VLT e o DRT (Digital Rail Transit), tecnologia prevista para o projeto do VLE, está no “material rodante e na forma de implantação da via”.
“Enquanto o VLT opera sobre trilhos fixos, o DRT utiliza veículos sobre pneus guiados por trilhos virtuais, neste caso, magnéticos. Não haverá alteração no traçado previamente apresentado”, afirmou, em nota.
Questionada, a prefeitura não respondeu se existe alguma vantagem do VLE sobre os ônibus comuns, nem por qual motivo o VLT chegou a ser cogitado, se já havia o “bonde digital” adotado agora como meta.
De forma geral, o VLE roda sobre pneus, em meio aos demais veículos, assim como os demais coletivos em circulação na capital paulista, onde a frota de ônibus elétricos passa das 1.200 unidades.
O prefeito diz que a equipe buscou informações na China e no Japão sobre o VLE, que já está em operação também no Paraná. A partir daí, acionou o TCM. O projeto é uma parceria público-privada (PPP). A ideia é integrar os diversos pontos da cidade, incluindo o futuro centro administrativo do governo estadual, onde hoje está a Praça Princesa Isabel.
Os planos de fazer algo parecido já rondam a região central da cidade desde ao menos 2017, com um projeto que chegou a ser apresentado pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi) ao então prefeito João Doria.
Em 2023, a prefeitura conseguiu uma sinalização para captar até R$ 1,4 bilhão por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, para tocar o projeto.
Como funciona no Paraná
Na Região Metropolitana de Curitiba, o Bonde Urbano Digital (BUD) começou a operar em 9 de dezembro, fazendo uma primeira viagem entre Piraquara e Pinhais.
O VLE circula sobre sensores magnéticos no asfalto, por meio da tecnologia Digital Rail Transit (DRT), sem a necessidade de trilhos físicos.

No Paraná, cada veículo tem 30 metros de comprimento, capacidade para até 280 passageiros, chegando a até 70 km/h. A circulação acontece em meio aos demais veículos, sem uma via segregada.
Embora elétrico, ele não conta com um banco de baterias de lítio, como os demais veículos da categoria. Ele tem capacitores e uma carga de 12 minutos rende 40 km de autonomia.
O governo paranaense buscou inspiração na cidade mexicana de Campeche, que foi a primeira da América do Norte a adotar o sistema.
