Nunes lamenta mortes por enxurrada: “A vida inteira vi aquilo alagar”
Marcos da Mata e Maria Deusdete foram encontrados mortos após temporal na sexta-feira (16/1). Obra em piscinão na região está atrasada
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), lamentou a morte de um casal após uma enxurrada na zona sul da cidade. Marcos da Mata, 68, e Maria Deusdete, 67, desapareceram durante o temporal da última sexta-feira (16/1) e foram encontrados sem vida pelo Corpo de Bombeiros, dias depois.
“É muito triste. É minha região, eu vivi ali. A vida inteira eu vi aquilo alagar e carregar gente. A vida inteira eu vi pessoas sofrerem com aquilo. Então, até por uma questão de relação emocional, é fundamental para mim concluir aquela obra”, afirmou o prefeito, em entrevista coletiva, nesta terça-feira (20/1).
A obra citada por Nunes é o piscinão do Capão Redondo, justamente na região onde o casal morreu. O projeto foi uma promessa da campanha do prefeito e deveria ter ficado pronto no meio de 2025, mas segue inacabado. Questionado sobre o atraso, o prefeito disse ter investido R$ 9,3 bilhões em drenagens, canalização de poços e reservatórios.
A demora, segundo Nunes, se deve a rochas encontradas no local. “Já era para ter ficado pronto. Mas a empresa acabou se deparando com rochas no fundo. São 14 metros de profundidade. Nós já fizemos 12 metros de vala, mas essas rochas acabaram atrasando a obra”, disse.
Casal morto após enxurrada em SP
- Marcos da Mata, 68, e a esposa, Maria Deusdete, 67, tiveram o carro arrastado por uma enxurrada na Avenida Carlos Caldeira Filho, zona sul de São Paulo, durante o temporal que atingiu a cidade na sexta-feira (16/1).
- O local, no bairro do Campo Limpo, é próximo ao córrego Morro do S, conhecido por transbordar em tempestades.
- O corpo de Marcos foi encontrado no dia seguinte no Rio Pinheiros, no sábado, próximo à ponte Edson Godoi, sentido Interlagos. O velório e enterro aconteceram no domingo (18/1), no Cemitério Parque dos Ipês, em Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo.
- Já o corpo de Maria foi encontrado apenas três dias após a enchente, na manhã da segunda-feira (19/1), no Rio Jurubatuba/Rio Pinheiros, na altura do Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo.
- Após o desaparecimento do casal, moradores da região organizaram um protesto. “Ano após ano sofremos danos enormes por causa das enchentes. Vidas, casas, carros, dignidade… Sobrevivemos, e a cada nova enchente só piora”, afirmaram.
- “Decidimos nos juntar e fazer uma manifestação a fim de sermos notados e exigir políticas públicas que amenizem nosso sofrimento e também como forma de solidariedade por todos que sofrem com a consequência desse descaso.”
Ricardo Nunes ainda afirmou que a cidade tem um histórico de décadas de problemas e mortes devido a enchentes. “Isso toca demais o meu coração, porque presenciei muita gente perder a vida. Estou fazendo o possível para que a gente possa diminuir esses problemas”, pontuou. O prefeito não deu um novo prazo para o fim das obras no piscinão do Capão Redondo.










