Nunes vê “evidente abuso eleitoreiro” em homenagem a Lula no Carnaval

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no Carnaval do Rio

atualizado

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Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo - Metrópoles
1 de 1 Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo - Metrópoles - Foto: William Cardoso/Metrópoles

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), fez coro com a oposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para criticar o desfile da escola de samba Acadêmicos do Niterói, que homenageou o petista no sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, na noite de domingo (15/2).

“O Carnaval é uma festa popular de expressão cultural. É algo muito importante e não deve ser usado para campanha eleitoral disfarçada”, disse o prefeito de São Paulo.

Nunes afirmou que o desfile da escola de samba desrespeitou a legislação eleitoral por se tratar de ano eleitoral.

“Foi  uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente. Em ano eleitoral, é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder”, criticou.

Aliados de Lula afirmam que não houve pedido de voto explícito no desfile da Acadêmicos de Niterói e, portanto, não há propaganda eleitoral antecipada.

A oposição ao petista, por outro lado, crítica a escola e diz que há menções a “palavras mágicas” que podem remeter à campanha, de acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O samba-enredo menciona, por exemplo, o número 13, que representa o presidente nas urnas.

Bolsonaro retratado como palhaço

O carro alegórico que abriu o desfile da Acadêmicos de Niterói retratou os últimos presidentes da República, em uma coreografia que mostrou uma tumultuada passagem de faixas presidenciais.

Em um primeiro momento, um boneco de Lula passa a faixa de presidente para uma representação de Dilma Rousseff (PT), que por sua vez tem a faixa “arrancada” por um boneco em alusão a Michel Temer (MDB), ex-vice-presidente que assumiu o poder após o impeachment de Dilma.

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Escultura representa o presidente Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói
Janja, Eduardo Paes, Lula e Geraldo Alckmin
Presidente Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes
Figura em carro alegórico da Acadêmicos de NIterói, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso
Presidente Lula no Carnaval do Rio de Janeiro
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Presidente Lula no Carnaval do Rio de Janeiro

Ricardo Stuckert/PR
Escultura representa o presidente Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói
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Escultura representa o presidente Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói

Luiza Monteiro/Riotur
Janja, Eduardo Paes, Lula e Geraldo Alckmin
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Janja, Eduardo Paes, Lula e Geraldo Alckmin

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Presidente Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes
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Presidente Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes

Dilson Silva/AgNews
Figura em carro alegórico da Acadêmicos de NIterói, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso
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Figura em carro alegórico da Acadêmicos de NIterói, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso

Lucas Pasin/Metrópoles

O boneco de Temer passa a faixa presidencial para um quarto boneco, um palhaço que simboliza o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No fim do desfile, o último carro alegórico mostra um palhaço atrás das grades com roupa de presidiário.

Reação do ex

Temer, do mesmo partido de Nunes, repudiou a representação fantasiosa de sua persona política pela agremiação fluminense na Sapucaí. O emedebista já foi retratado como vampiro pela Acadêmicos de Tuiuti, no Carnaval de 2018, no sambódromo do Rio de Janeiro.

“Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”, afirmou Temer em nota.

Leia abaixo a íntegra da resposta do ex-presidente:

“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida.

Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.

O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado.

Olha o Brasil aí… gente!”

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