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Nova versão de programa pré-impeachment de Dilma afasta MDB de Lula

Coordenador de programa do MDB para 2026 faz críticas a Lula e diz que partido pode ter nome próprio ou apoiar candidatura de centro-direita

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
Baleia Rossi e Simone Tebet
1 de 1 Baleia Rossi e Simone Tebet - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

De olho nas eleições de 2026, o MDB prepara um documento com as principais diretrizes e propostas que o partido pretende apresentar em meio às articulações para definir as alianças em torno da disputa pela Presidência da República.

De acordo com os responsáveis pelo plano, o objetivo é apresentar o partido como uma alternativa eleitoral, o que afasta as chances de um apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo governo conta com três ministros do MDB.

Internamente, o programa que será apresentado em outubro, um ano antes das eleições, é tratado como uma nova versão do “Ponte para o Futuro”, documento lançado pelo partido em 2015, às vésperas do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele é tido como uma sinalização de ajuste fiscal dado ao mercado.

O documento serviu como uma espécie de plano de governo do ex-presidente Michel Temer, que era vice de Dilma e assumiu a Presidência após a destituição da petista, em agosto de 2016.

“Brasil precisa pensar o Brasil”

Desde março, a Fundação Ulysses Guimarães, braço de estudos do MDB, tem promovido encontros regionais em diferentes estados com grupos de discussões com especialistas e lideranças da legenda, sob a coordenação do ex-ministro Aldo Rebelo e do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS). O projeto foi batizado de “O Brasil precisa pensar o Brasil”.

“É muito parecido com o Ponte para o Futuro. Que era um projeto bem construído, mas que foi feito por um grupo de pensadores.
Este novo projeto tem capilaridade. Estamos andando pelo país inteiro, conversando com os companheiros e pedindo para eles replicarem esses movimentos”, afirmou ao Metrópoles Alceu Moreira, que faz críticas ao governo Lula.

“Hoje, não temos a mínima noção do que o Lula vai pensar amanhã de manhã. Ninguém sabe. Não tem um projeto de país”, diz o parlamentar emedebista.

Aldo Rebelo, que foi secretário de Relações Internacionais no primeiro mandato do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e depois trabalhou na campanha de reeleição do emedebista, reforça o objetivo da iniciativa de apresentar a legenda como uma alternativa para as eleições de 2026.

“O MDB tem que pensar em uma alternativa própria e essa alternativa tem três eixos. A retomada do crescimento da economia e do desenvolvimento como o primeiro eixo. O segundo eixo é a redução das desigualdades e a valorização da educação. O terceiro eixo é a valorização da democracia, ou seja, a capacidade do país de dialogar mesmo quando houver opiniões diferentes”, afirma Rebelo.

O ex-ministro afirma que o MDB tem “bons nomes” para uma candidatura própria, mas diz que essa discussão ainda não está sendo feita.

“Na última eleição, o MDB teve uma candidatura própria, com a senadora Simone Tebet. Na próxima, uma das hipóteses é repetir a dose. Tem muitos nomes capazes. Tanto os que estão no governo, como a própria Simone ou Renan Filho, quanto nomes que estão fora do governo atual”, diz Rebelo.

Além da possibilidade de disputar novamente a Presidência da República, correligionários afirmam que Tebet pode se candidatar outra vez ao Senado pelo Mato Grosso do Sul. Alas mais lulistas da legenda também não descartam que a ministra tente se viabilizar como vice da chapa de Lula para a reeleição.


Candidatura de centro-direita

  • Embora o partido tenha ministros no governo de Lula, como Simone Tebet (Planejamento), Jader Filho (Cidades) e Renan Filho (Transportes), o deputado Alceu Moreira avalia que atual cenário partidário tende a formar grandes blocos por meio de federações como PP-União Brasil e até mesmo MDB-Republicanos, que estão em tratativas.
  • Para o deputado, isso pode favorecer o surgimento de uma candidatura de “centro-direita” unificado para disputar o Planalto contra o campo petista. Em sintonia com o grupo emedebista ligado a Ricardo Nunes e ao presidente nacional Baleia Rossi, Moreira afirma que o MDB pode apoiar uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República.
  • “A cada semana que passa, vai se definindo o perfil do presidente que gostaríamos. Uma pessoa intelectualizada, tranquila e com integridade. Temos [possíveis] candidaturas do MDB, mas com certeza nesse perfil se inclui o Tarcísio. Com essas federações, o tabuleiro se move para que tenhamos uma candidatura de centro-direita”, argumenta Moreira.
  • Segundo o deputado, após a conclusão do projeto programático, a proposta será apresentada para os pré-candidatos ao Planalto, para avaliar “em que medida têm condições de se comprometer com o texto”.
  • “Com certeza vamos mostrar para o Ratinho Jr. [governador do Paraná, do PSD], para Ronaldo Caiado [governador de Goiás, do União], para o Romeu Zema [governador de Minas Gerais, do Novo], para o Eduardo Leite [governador do Rio Grande do Sul, do PSD]. Se tivermos feito a federação com o Republicanos, com certeza o Tarcísio já vai estar no nosso campo de luta”, afirma Moreira.
  • Apesar dessas sinalizações, figuras do MDB com mais afinidade com o PT defendem que o partido componha o arco de alianças em torno de Lula em 2026. Diante disso, é possível que o partido se divida nas eleições.
  • “Eu vou respeitar, obviamente, a decisão partidária. Mas acho que não é lógico a gente estar participando do governo da maneira que nós estamos participando, sendo prestigiados como o MDB está sendo prestigiado, e quando chegar na eleição, a gente ir para um outro campo”, afirmou o ministro das Cidades, Jader Filho, em entrevista ao Metrópoles no mês passado.

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