Família alega negligência após morte de criança em piscina municipal
Bryan Adolfo Moraes Vicente, de 4 anos, estava sob cuidados de centro de acolhimento na zona oeste de SP quando foi encontrado morto
atualizado
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Familiares de Bryan Adolfo Moraes Vicente afirmam que o menino, de 4 anos, foi vítima de negligência do Instituto Dica do Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica) da Casa Verde, responsável pelos cuidados da criança. Bryan morreu na noite do dia 23 de dezembro, após se afogar em uma piscina do Centro Esportivo Municipal Edson Arantes do Nascimento, conhecido como Pelezão, na zona oeste de São Paulo.
“Para mim, foi uma fatalidade na mão deles [Saica]. Eles deviam estar olhando o meu filho corretamente. O Bryan não estava com uma boia, não estava com nada naquela piscina. Eles falam que o Bryan passou mal, vomitou e foi trazido por outra criança. Mas outro depoimento diz que ele foi encontrado já sem vida na piscina”, disse o pai do menino, Rodrigo Augusto Vicente.
Acolhimento provisório
Bryan morava sem os pais no instituto. Ele foi levado temporariamente devido à condição financeira da família, que vivia em situação de rua.
“Agora a gente já está estabilizado, trabalhando, se organizando para alugar nossa casa. Então, eles iam devolver o Bryan para nós em fevereiro, porque a gente já estava passeando com ele. Ele já ia começar a dormir com nós(sic)”, lamentou o pai. “Se ele já estivesse com a gente, nada disso tinha acontecido”.
A visita ao Pelezão foi realizada com acompanhamento de monitores do instituto como uma atividade de férias. A família, no entanto, afirma que não foi avisada.
“No dia da útlima visita, eu estava trabalhando e minha esposa foi sozinha. Chegando lá, falaram que ele tinha ido para um passeio, mas não nos comunicaram antes. Sempre que tinha um passeio, minha esposa ia junto para cuidar dele. Dessa vez, não levaram ela e nem avisaram. Apenas no dia seguinte, ligaram de manhã falando que tinha acontecido um acidente com ele, mas não contavam o que era.”
Menino de 4 anos morre em centro esportivo de SP
- Segundo o boletim de ocorrência, uma banhista que frequentava o centro esportivo no momento do ocorrido contou à polícia que encontrou Bryan boiando de bruços dentro da piscina.
- Inicialmente, a testemunha pensou que o menino estivesse testando quanto tempo conseguiria ficar submerso, mas estranhou a demora. Ela foi até a criança, quando percebeu que Bryan estava desacordado e começou a gritar por socorro.
- O menino foi levado aos salva-vidas presentes no local. Imediatamente, os socorristas realizaram manobras de ressuscitação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Durante as manobras, a criança vomitou.
- Bryan morreu no local.
- Os orientadores responsáveis pelas crianças contaram às autoridades que, no momento em que o afogamento do menino foi percebido, eles haviam se distanciado momentaneamente para atender outras crianças. Eles notaram o ocorrido apenas quando os salva-vidas já estavam realizando o socorro.
- No momento do afogamento, estavam no local uma monitora aquática e pelo menos quatro salva-vidas.
- Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o centro esportivo tinha uma equipe de salva-vidas de plantão, que realizou os procedimentos de salvamento até a chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Orientadores afastados
Sobre os funcionários do abrigo, a administração municipal alegou que, como medida cautelar, afastou os profissionais envolvidos.
A Polícia Civil afirmou que investiga o caso por meio de um inquérito policial instaurado pelo 91° Distrito Policial (Ceasa). Exames foram solicitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar no esclarecimento das causas da morte e dos fatos.
O caso foi registrado como homicídio. Uma das salva-vidas do clube consta no boletim de ocorrência como investigada.
Bryan foi velado, na manhã do Natal, no Cemitério Dom Bosco, na zona norte de São Paulo.








