MPSP recorre para que viúva de Igor Peretto vá a júri popular
Na última quinta-feira (16/10), a Justiça determinou a soltura e a desclassificou da denúncia. Em seguida, o Ministério Público apelou
atualizado
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou recurso, na última sexta-feira (17/10), para que a Justiça reconsidere a possibilidade de Rafaela Costa da Silva (imagem de destaque à direita) ser julgada pelo Tribunal do Júri. Ela é a viúva do empresário Igor Peretto (à esquerda na foto), que foi assassinado a facadas, em agosto de 2024, no apartamento da irmã, Marcelly Peretto.
Entenda
- Após a morte de Igor Peretto, o MPSP denunciou Rafaela (viúva de Igor), Marcelly Peretto (irmã) e Mário Vitorino (cunhado) por premeditar o crime.
- Na última quinta-feira (16), a Justiça de Praia Grande, no litoral de São Paulo, determinou a soltura de Rafaela. O juiz Felipe Esmanhoto a desclassificou da denúncia e afastou a acusação de homicídio com três por homicídio com três qualificadoras – motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido.
- O magistrado entendeu que Rafaela não teria participado diretamente no homicídio, já que não estava no apartamento de Marcelly no momento do crime.
- “Apesar da ausência de indícios robustos relacionados ao crime de homicídio, a conduta da acusada em momento posterior aos fatos é indício de eventual crime diverso não doloso contra a vida (eventualmente, o crime de favorecimento pessoal)”, ressaltou o juiz.
- Em nota, o advogado da viúva, Yuri Cruz, afirmou ter recebido com “serenidade e justiça” a sentença. “Durante a instrução criminal, a defesa conseguiu demonstrar de forma inequívoca que as provas produzidas não sustentavam a acusação de homicídio doloso com relação a Rafaela”.
- Na sexta (17), o promotor Rafael Vidal pediu que fosse decretada novamente a prisão preventiva de Rafaela.
- O Ministério Público solicitou que a viúva vá a júri popular, assim como os outros dois réus.
- No recurso, o promotor argumentou que a decisão de retirá-la do Tribunal do Júri extrapolou os limites legais da fase processual. Vidal apontou a existência de indícios de participação da mulher no assassinato, incluindo a atração da vítima ao local do crime.
- Vidal também destacou que a viúva manteve comunicação constante com os outros envolvidos durante e após o homicídio, além de ter fugido com eles e adulterado provas em celular.
- O Tribunal de Justiça de São Paulo analisará a apelação do MPSP.
De acordo com a cronologia feita pela Polícia Civil, Marcelly e Rafaela teriam chegado ao apartamento no Residencial Vogue, do qual Marcelly era proprietária, por volta das 4h30 do dia 31 de agosto de 2024, um sábado. Antes disso, na noite da sexta, elas estavam em uma festa acompanhadas de Mário e Igor.
Por volta das 5h40, Rafaela saiu sozinha do apartamento e foi embora de carro. Após 13 segundos, Mário e Igor chegam juntos ao residencial. Às 5h44, os dois homens saíram do elevador em direção ao apartamento de Marcelly, onde o crime ocorreu. Um vídeo mostra os últimos momentos de Igor Peretto.
Veja:
Às 6h04 do sábado, Mário e Marcelly saíram sozinhos pelas escadas do prédio e foram em direção ao subsolo, onde estava estacionado o carro de Mário. Os depoimentos dos réus divergiram quanto aos detalhes do crime. Apesar disso, a Polícia Civil concluiu que houve uma discussão entre o trio. Em dado momento, Mário desferiu diversos golpes de faca em Igor, que morreu no local.
Depois do crime, o cunhado e a irmã de Igor saíram de carro em direção ao apartamento de Mário. De lá, o casal seguiu para a estrada, onde encontraram Rafaela por volta das 8h48 no Posto Olá, no km 124 da Rodovia Governador Carvalho Pinto. Uma hora depois, o trio chegou em Campos do Jordão. Marcelly teria pegado um carro de aplicativo e retornado para a Praia Grande, enquanto Rafaela e Mário foram a um motel em Pindamonhangaba, no interior, para que ele trocasse as roupas sujas de sangue.
Prisões
Rafaela e Marcelly se apresentaram à polícia em setembro de 2024, quando foram presas na Cadeia Pública Feminina de São Vicente, litoral de São Paulo.
Assassinato de Igor Peretto
- O empresário Igor Peretto, de 27 anos, foi assassinado em dia 31 de agosto do ano passado, no apartamento da irmã, Marcelly Peretto, em Praia Grande, litoral de São Paulo.
- Ele foi morto a facadas, desferidas por Mário Vitorino, após supostamente ter descoberto que estava sendo traído pela esposa, Rafaela Costa, conforme apontou o Ministério Público. Os dois estariam se separando.
- Rafaela estaria tendo um caso com Mário Vitorino, amigo e sócio de Igor. Além disso, os dois homens eram cunhados, já que Mário e Marcelly eram casados – também em processo de separação.
- De acordo com o depoimento de Rafaela à polícia, ela e Marcelly também seriam amantes.
- Rafaela não estava no apartamento de Marcelly quando Igor foi assassinado. Apesar disso, ela estaria envolvida no crime, já que teria atraído o marido para o apartamento para ser executado, segundo a investigação.
- Para o MPSP, Igor foi assassinado pois atrapalhava o triângulo amoroso. Essa hipótese é negada pela defesa dos réus.
Mário foi encontrado apenas no dia 15 daquele mês, na casa de um tio de Rafaela na cidade de Torrinha, no interior paulista. Ele permanece detido na Penitenciária Dr. Geraldo de Andrade Vieira – São Vicente I.








