MPSP denuncia policiais acusados de liberar cargas ilegais mediante propina
Segundo o MPSP, os policiais civis faziam uso do próprio cargo para abordar caminhões com produtos ilegais e cobrar propina para liberá-los
07/10/2026 12:04, atualizado 07/10/2026 12:05

São Paulo — O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou cinco policiais civis e outras três pessoas no âmbito da Operação Merx, realizada em agosto e que mirou um esquema de propina em que agentes de segurança cobravam propina para liberar a entrada de mercadorias ilegais no estado paulista.
De acordo com a denúncia apresentada pela promotoria em setembro, os policiais civis se aproveitavam da condição de agentes e dos meios materiais e informacionais da instituição para realizar abordagens a caminhões que transportavam aparelhos eletrônicos provenientes de descaminho, introduzidos clandestinamente no território nacional pelo Paraguai com destino à região metropolitana de São Paulo.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasNa abordagem, os denunciados condicionavam a liberação da carga ilegal ao pagamento de uma propina. O “acerto” era padronizado e custava 70% do valor estimado da carga abordada. Segundo as investigações, a propina exigida para liberação das cargas totaliza R$ 2,35 milhões.
Ainda segundo o MPSP, os policiais formalizavam uma apreensão “meramente simbólica de parcela ínfima da mercadoria” para dar uma aparência de legalidade à ação. Em alguns casos, os agentes deixavam de lavrar qualquer registro da ocorrência, restituindo integralmente a carga.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPCorrupção e lavagem de dinheiro
Os cinco policiais foram denunciados pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os outros três homens vão responder por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Os promotores responsáveis pela denúncia ainda pediram a fixação do valor mínimo de R$ 2,3 milhões de indenização, alegando dano moral coletivo. O documento também pede o bloqueio de valores e bens móveis e imóveis adquiridos pelos denunciados, além da perda do cargo público dos policiais.
À época da operação, a Justiça decretou a prisão preventiva de sete investigados, sendo quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas responsáveis pelo pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos.
Um investigador foi afastado do exercício da função pública e proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas. A Vara Regional de Garantias de Osasco também determinou o sequestro e o bloqueio de bens no valor total de até R$ 4 milhões.



