Acusado de feminicídio que alegou convulsão da vítima vira réu
MPSP chegou a pedir soltura de empresário acusado de feminicídio que alegou convulsão da vítima, mas voltou atrás. Justiça o tornou réu
atualizado
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou, nesta terça (19/8), a denúncia Ministério Público do Estado (MPSP) contra o empresário Fábio Seoane Soalheiro, de 59 anos, suspeito de matar sua companheira, Bruna Martello Carvalho, de 35, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Na ocasião, ele acionou o resgate para a mulher, alegando que ela teria sofrido uma convulsão.
Na última sexta (15/8), o promotor Vitor Petri havia pedido a soltura do empresário, alegando falta de clareza em parte dos laudos sobre as causas da morte. No entanto, um laudo contratado pela família da vítima aponta indícios de que ela sofreu lesões compatíveis com asfixia.
Diante disso, o promotor reviu o pedido e denunciou Fábio Seoane por feminicídio qualificado por asfixia, em contexto de violência doméstica. Ele também solicitou indenização no valor R$ 100 mil para a filha da vítima.
Nesta terça, o juiz Fábio Calheiros do Nascimento aceitou a denúncia e manteve a prisão preventiva de Soalheiro, decretada em audiência de custódia. Com a decisão, o empresário será julgado pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Barueri. Se pronunciado por feminicídio, ele será submetido ao Tribunal do Júri.
“O recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça representa um passo fundamental para que a verdade venha à tona e a responsabilidade pelo feminicídio de Bruna seja reconhecida. A família segue confiante na busca por justiça e na proteção dos direitos da filha da vítima”, afirmou a advogada Cecilia Mello, que representa a família da vítima.
O que aconteceu
- De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual o Metrópoles teve acesso, Fabio Soalheiro chamou o resgate por volta das 8h20 de 3 de agosto, alegando que sua companheira estava tendo uma convulsão.
- Quando a equipe de socorro chegou ao apartamento do casal, em Alphaville, constatou que Bruna já estava morta e apresentava sinais de lesões, o que fez os socorristas acionarem a Guarda Civil Municipal (GCM).
- O guarda municipal que atendeu à ocorrência relatou à polícia marcas de sangue em diferentes cômodos, mechas de cabelo arrancadas e o comportamento confuso e nervoso de Fabio.
- Após ser conduzido à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri, em depoimento, Fabio alegou que Bruna sofreu uma convulsão na noite de sábado (2/8) e que ela o teria mordido durante a crise.
- O homem disse que ambos dormiram no chão do quarto e, ao acordar, percebeu que ela não respondia.
- Ele negou qualquer agressão e atribuiu os ferimentos a movimentos involuntários dela durante a suposta convulsão.
- A polícia também ouviu vizinhos do casal, que informaram que escutavam com frequência gritos e discussões vindos do apartamento deles.
- Um segurança do prédio que esteve no local relatou que Fabio tentou sair após a chegada do socorro, afirmando que “não poderia estar lá quando a família chegasse”. Ele foi impedido de sair até a chegada da GCM.
- A perícia constatou lesões na vítima incompatíveis com uma crise convulsiva, incluindo sinais de luta, ferimentos no rosto e pescoço.
- Além disso, a morte de Bruna ocorreu pelo menos 8 horas antes do chamado ao socorro, segundo o documento.
O que diz a defesa do empresário
Em nota, o advogado Rodolfo Warmeling, que faz a defesa de Fabio, afirma que “a defesa foi intimada da decisão que recebeu a denúncia em desfavor de Fábio Seoane Soalheiro que imputou o cometimento – em tese, pelo delito de feminicídio qualificado. A denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, valeu-se de argumentos reproduzidos através de um laudo pericial indireto e, portanto, não realizada através de um profissional imparcial – como de costume”.
“Diante da superveniência dos fatos, reiteramos nosso compromisso com a Justiça, vamos apresentar a defesa de Fábio no momento oportuno, confiantes de que todos os fatos serão melhores esclarecidos no curso do processo”, finaliza a nota.
