Morte de ex-delegado foi vingança por prisão de ladrões de banco, diz polícia

Presos apontados como mandantes do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes teriam encomendado o crime como vingança

atualizado

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Divulgação/Polícia Civil
Imagem colorida mostra montagem com mais 3 presos pelo caso Ruy Ferraz - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra montagem com mais 3 presos pelo caso Ruy Ferraz - Metrópoles - Foto: Divulgação/Polícia Civil

O secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves, disse, nesta terça-feira (13/1), que os três presos apontados como mandantes do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes teriam encomendado o crime como uma vingança por prisões ocorridas desde 2005. Outras hipóteses, no entanto, não estão descartadas, e o grupo poderia ter agido com apoio de outras pessoas.

Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, “Azul”, Márcio Serapião Pinheiro, “Velhote”, e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, “Manoelzinho”, seriam assaltantes de banco e teriam relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“São pessoas que são assaltantes de banco que foram presos pelo Ruy quando ele atuava diretamente contra o crime organizado”, disse Nico, em entrevista coletiva. “Nada está descartado. Mas, para nós, 90% de chance, mais de 90%, de ter relação com isso”, acrescentou.

O secretário afirmou que a execução teria sido planejada em uma lanchonete de Mongaguá, no litoral sul de São Paulo, em março de 2025, seis meses antes da execução.

“Foi uma reunião entre os três muito próximo da casa da mãe de um deles, e muito próximo da casa de um outro. Nós tínhamos os nomes desde dezembro, mas era preciso realizar as prisões de forma conjunta”, afirmou a diretora do Departamento de Homicídios (DHPP), Ivalda Aleixo.

O diretor do Departamento de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, disse que não está descartada, por exemplo, a hipótese de que o crime teria relação com a atuação de Ruy Ferraz como secretário da Administração da Praia Grande.

“Nós temos duas linhas principais desde o início das investigação, que permanecem até hoje, uma é o histórico de combate ao crime organizado do dr. Ruy, algo que remete ao passado dele, e a outra mais voltada à alguma irregularidade na Praia Grande, algo atual”, explicou.

Como revelado pelo Metrópoles, o ex-delegado-geral preparava um dossiê contra funcionários da prefeitura do município por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude de licitações.

Informações conflitantes

Como detalhado pelo Metrópoles, dois dos três presos tem o mesmo apelido de membros do alto escalão do PCC: Azul e Velhote.

Mais cedo, na manhã desta terça (13), a secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse à reportagem que o Azul detido seria o líder do PCC Fernando Gonçalves dos Santos, integrante da Sintonia Final da facção e acusado de planejar atentados contra autoridades, como Lincoln Gakiya e o senador Sergio Moro (União). A informação chegou a ser publicada pelo Metrópoles e por outros veículos. Minutos depois, a pasta enviou um documento com informações diferentes, indicando que se trata de uma outra pessoa.

Já Márcio Serapião Pinheiro, o suposto Velhote, também tem como “homônimo” na fação. Trata-se de João Aparecido Ferraz Neto, também conhecido como João Cabeludo, que está na lista vermelha da Interpol.

Segundo a delegada Ivalda Aleixo foi uma confusão. O secretário da Segurança, Osvaldo Nico, pediu desculpas pela informação errada.

“Isso deve ter surgido em uma confusão. Porque, quando a gente faz uma pesquisa, o Azul aparece. Mas tem dois ‘Azul’, o Colorido e o que nós estávamos atrás, o Azul Careca”, afirmou. “Pode ter havido uma confusão, como já aconteceu no caso Gritzbach. Pode, sim, ter acontecido”, acrescentou.

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