Mobilidade: ônibus elétricos são destaque no Metrópoles Talks em SP
Especialistas, representantes do poder público e executivos se reuniram, nesta quinta (28/5), em evento sobre urbanismo e energia limpa
atualizado
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Especialistas em urbanismo, representantes do poder público, executivos do setor de energia e pesquisadores se reuniram, nesta quinta-feira (28/5), para um debate sobre mobilidade sustentável, especificamente em relação a metas e práticas que atingem a cidade de São Paulo. Um dos principais destaques do evento foi a necessidade de uma frota de ônibus completamente elétrica.
A discussão ocorreu em mais uma edição do Metrópoles Talks, desta vez com o tema “Mobilidade Sustentável: a transformação da mobilidade urbana em direção a uma cidade mais sustentável”. O encontro gratuito ocorreu na Japan House, na Avenida Paulista, região central.
Entre os assuntos principais do encontro, também estiveram planejamento urbano inteligente, energia limpa e novas soluções para o centro da capital paulista.

Ônibus elétricos
O primeiro painel do evento foi realizado sob a temática “Descarbonização da frota de São Paulo: ônibus elétrico, a nova energia do transporte urbano”.
Na ocasião, Celso Jorge Caldeira, atual secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, destacou que atualmente a cidade de São Paulo tem 1.259 ônibus elétricos. Além disso, o objetivo — que, segundo ele, deve até ser superado — é alcançar 2.200 unidades até 2028.
O secretário enfatizou que, conforme uma lei municipal, a compra de novos ônibus a diesel pelas concessionárias de transporte público de São Paulo está proibida desde 2022. A meta legal para a transição completa de toda a frota municipal para veículos limpos está estipulada para o ano de 2038.
“Nossos custos operacionais já diminuíram. Os impactos nascem a partir de políticas públicas e são sentidos no dia a dia”, afirmou Caldeira. “Os ônibus elétricos são opção para o presente e para o futuro.”
Ele ainda apontou que cada ônibus elétrico adotado corresponde à economia de cerca de 35 mil litros de óleo diesel, que é altamente poluente, por ano. De acordo com Caldeira, a longo prazo, o intuito principal é ter toda a frota elétrica na cidade, ou até com alguma tecnologia ainda mais evoluída que preze pela descarbonização.
No Metrópoles Talks sobre mobilidade, Harald Peter Zwetkoff, engenheiro civil e integrante do Consórcio Transvida, complementou que a operação do veículo elétrico é mais confiável que o modelo a diesel, para além da melhoria geral da qualidade de vida. “O passageiro e o motorista ficam mais satisfeitos”, disse.
Zwetkoff também ressaltou que, nos últimos anos, São Paulo encarou as necessidades de abraçar uma frota elétrica, inclusive com a evolução tecnológica para garantir tempo de garagem para recarga dos veículos. “O desafio de adaptação e aprendizado para conviver com ônibus elétrico a gente já venceu”, avaliou.
Vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy destacou os benefícios ambientais e até de saúde para a população. “A cada ônibus elétrico, retira-se cerca de 120 toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano”, informou. O executivo argumentou ainda que a disponibilidade da opção desestimula que os paulistanos usem carros individuais.
“Os ganhos são muito além daqueles que a gente avalia como ambientais, que já são enormes”, completou Baldy. “Com tecnologia, diálogo e investimento, quem ganha é o cidadão.”
Mobilidade integrada e energia limpa
O segundo painel teve como foco o projeto “Bonde São Paulo: mobilidade inteligente para uma nova dinâmica urbana no centro de São Paulo”.
No debate, Pedro Fernandes, arquiteto e presidente da SP Urbanismo, falou sobre a importância de pensar, por exemplo, na manutenção de parques para deixar a dinâmica urbana mais confortável, paralelamente ao avanço contínuo do transporte. Segundo ele, a iniciativa Bonde São Paulo deve ser vista como estruturante, sob o objetivo de atrair cada vez mais moradores e permanência para a região central da capital paulista.
Com o nome oficial de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), trata-se de uma espécie de reorganização da mobilidade na região, com segurança viária, acessibilidade e aumento das áreas verdes, assim como duas linhas de 12 quilômetros de extensão para conectar bairros estratégicos.
Caio Luz, atual diretor de Planejamento de Transporte da SPTrans, ressaltou o desafio de pensar a mobilidade na capital paulista como um sistema de forma integrada. “A gente tem de tornar o transporte público cada vez mais atraente.”
Danaê Fernandes, mestre em arquitetura e urbanismo e pesquisadora do FGV Cidades, argumentou que mobilidade inteligente significa suprir as necessidades de todo e qualquer cidadão, com prioridade da mudança de comportamento. “É preciso parar de enxergar projetos, mas sim, investir em um ecossistema. Pensar na mobilidade como um serviço, em uma cidade que abraça todo mundo”, opinou.
No Metrópoles Talks desta quinta (28/5), o terceiro painel teve como tema “Biometano: energia limpa para mover o futuro da cidade”, como foco no biocombustível 100% renovável e obtido a partir da purificação do biogás.
Josiani Napolitano, presidente da ABiogás, entidade ligada ao setor, definiu o biometano como uma circulação de resíduos que voltam para a sociedade como energia limpa. A prática, inclusive, é incentivada atualmente por meio da legislação federal. “É um combustível extremamente competitivo em relação ao diesel”, disse a executiva ao elucidar que o biocombustível emite 90% menos poluição que o biodiesel.
Victor Hugo Borges, diretor presidente da SPTrans, afirmou que a transição para a energia limpa deve ser percebida, inclusive, como um método de baratear o sistema municipal de transporte público, para além de obter um funcionamento melhor. “É um aliado forte para que a descarbonização siga a passos largos”, acrescentou.
Executivo da Comgás e especialista em políticas públicas e regulação energética, Bruno Dalcolmo mencionou que o biometano já é uma realidade mundial em atuação de transporte público e até de cargas pesadas. “O desafio não é tecnológico; é a integração entre política pública e investimentos privados”, reconheceu.
Os participantes do evento debateram com base em dados. Estudos de mercado demonstram, por exemplo, que a participação do biometano na matriz de gás natural no Brasil pode chegar a 50% até 2050. Além disso, em 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu em 0,5% a meta inicial para a redução das emissões de gases do efeito estufa do setor de gás natural.
Metrópoles Talks
O Metrópoles Talks é o projeto de debates focado em reunir personalidades brasileiras e internacionais para discussões impactantes sobre comportamento, política, saúde, inovação e reflexões sociais.
Realizado em formato de painéis e palestras em grandes centros urbanos, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, o evento se consolidou como um espaço dinâmico e acessível de interação e aprendizado.