Decepcionado com Milei, paulista foragido do 8/1 busca exílio no Chile
Condenado no STF pelo 8/1 fugiu para a Argentina e agora busca asilo no Chile do ultraconservador José Kast: “Terei de ser o primeiro”
atualizado
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Condenado a 14 anos de prisão e multado em R$ 32 milhões pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o foragido paulista Symon Filipe Albino vive na Argentina e está em nova rota de fuga para o Chile.
O participante da invasão às sedes dos Três Poderes em 2023, que se define como um “patriota pelo mundo”, conversou com o Metrópoles na quarta-feira (7/1) em um ônibus a caminho da capital chilena, Santiago, onde entrararia com novo pedido de exílio.
Ele não quis revelar a rota de fuga para o Chile, mas disse que estaria de saída da Argentina porque se decepcionou com o governo de Javier Milei. Albino achou que seria mais bem acolhido no país vizinho, conforme contou, pelo alinhamento político entre o presidente argentino e seu maior ídolo, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Quando Milei disse ‘viva la libertad, carajo’, ele falou sobre liberdade econômica. Não a liberdade que eu esperava”, disse o foragido.
Com medo de ser preso, como outros brasileiros, Albino desistiu de buscar asilo político na Argentina. Agora, aposta no Chile como próximo destino devido à eleição de José Kast, a quem o patriota chama de “Trump da América Latina”.
Entre esperança e receio
A decisão de Albino de imigrar ao Chile o coloca em um dilema contraditório. Ao mesmo tempo em que o foragido deposita sua esperança em conseguir exílio político no governo Kast devido à identificação ideológica, ele quer chegar ao país antes do novo presidente chileno assumir o poder, em 11 de março, porque sabe da promessa do ultraconservador de fechar as fronteiras.
“Tenho receio de me decepcionar, mas vou tentar. E quem sabe ele me dando exílio, abre portas para outros saírem a tempo. Terei de ser o primeiro”, aspirou.
Natural de Americana (SP), o patriota morava com a família em Campinas até sair para “lutar por liberdade”. No interior paulista, vivem sua ex-mulher e seus quatro filhos. Albino sabe que não irá reatar a relação com a ex-esposa e há três anos só consegue falar com os filhos eventualmente por telefone.
Militância bolsonarista
Albino se tornou uma voz relevante nas redes sociais bolsonaristas. No fim de 2024, ele tinha 600 mil seguidores, mas teve a conta derrubada, o que já havia ocorrido outras vezes por causa do discurso considerado radical pela plataforma – hoje, ele tem 61,2 mil adeptos na conta “Symon Patriota”.
Depois que Bolsonaro perdeu as eleições de 2022, o patriota não aceitou o resultado e se mudou para a frente do quartel-general de Campinas, onde ficou acampado por 65 dias. Do acampamento na porta do Exército, ele foi para Brasília, onde viveu o que ele chama de “o dia que mudou minha vida”.
Desde o 8 de janeiro de 2023, Albino viveu beirando a clandestinidade, e é evasivo sobre os passos que já deu. Ele contou, porém, que cruzou a fronteira entre Brasil e a Argentina pelo Paraná em 23 de maio de 2024.
“Muitos estão na miséria”
Na Argentina, o foragido organizou atos de brasileiros no 7 de Setembro, em locais emblemáticos como a Casa Rosada, sede do governo argentino, e o Obelisco, monumento na avenida 9 de julho, em Buenos Aires.
Em novembro, Albino protestou contra o ministro Gilmar Mendes, do STF, que organizou uma semana jurídica em uma universidade de Buenos Aires. No meio de uma palestra, se levantou e expôs as demandas dos bolsonaristas autoexilados. Acabou sendo retirado do evento pelos seguranças.
Para se manter, Albino trabalhou em restaurantes, mesmo ramo que ocupava no Brasil. Ele chegou a abrir um estabelecimento do tipo em San Javier, cidade da província de Misiones, onde viveu por mais de um ano.
“As condições econômicas aqui também não são fáceis. Milei cortou tudo e não gerou emprego. Fez uma limpa na sujeira da esquerda, porém não produziu nada para ninguém. Muitos estão na miséria”, constata.
Albino não conseguiu manter o empreendimento aberto e arranjou emprego num açougue, onde diz ter visto “muita gente comprando restos de ossos”.








