Metrópoles Talks debate como SP acelera evolução pessoal e de empresas
Representantes do poder público e do setor privado se reuniram no Metrópoles Talks para discutir possibilidades e avanços da cidade

A cidade de São Paulo, maior metrópole da América Latina, tem cerca de 11 milhões de habitantes. Nesse cenário, em meio à diversidade, às especificidades e aos diferentes contextos, há inúmeras possibilidades de crescimento, avanços e aprendizado, apesar das desigualdades.
Esse assunto foi o foco de mais uma edição do Metrópoles Talks, desta vez com o tema “São Paulo: Cidade das Oportunidades”, sob mediação da jornalista Valéria Luizetti. O encontro gratuito ocorreu nesta terça-feira (30/6), na Unibes Cultural, na Rua Oscar Freire, no bairro de Sumaré, em São Paulo.
SP: Cidade das Oportunidades
No painel “São Paulo: a cidade que não para de crescer”, o CEO da Dengo Chocolates, Estevan Sartoreli, destacou que a primeira operação da empresa foi iniciada há nove anos no município, que, para o empresário, segue como o principal ponto promissor para abertura de novas lojas.
“São Paulo acelera muito os hábitos. O consumidor que nós temos nessa cidade é sofisticado, é diverso, consegue aprender. Então, te valida uma oportunidade de negócio, a gente ganha musculatura para poder escalar. A gente fala muito dos custos de São Paulo, mas as receitas que essa cidade proporciona são maiores e superiores aos custos de São Paulo. O que eu vejo destacado nessa cidade é o quanto ela acelera o aprendizado, dos negócios, de vendedores”, afirmou Sartoreli. “Outro fator é o quanto essa cidade concentra talentos”, completou.

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Ver todasNa conversa, o empresário Facundo Guerra, fundador do Grupo Vegas, destacou a diversidade de São Paulo como espaço de gastronomia, cultura e arte. “Todo mundo que vem para São Paulo tem um sonho grande. E vai se conectando, vai desbravando, vai tentando, vai batendo a cabeça, vai tentando tirar, transformar esse sonho numa realidade. Então, para mim, trabalhar com São Paulo é trabalhar com o material humano mais interessante que existe na América Latina”, definiu.
Segundo Guerra, apesar da “falta de paisagem natural”, o município é uma referência de “paisagem humana”. “São Paulo é uma alucinação, não é nem uma cidade”, brincou. “Cada zona é uma cidade, uma metrópole. Tem a sua cultura, tem o seu bairrismo”, apontou. O empresário também avaliou que a capital paulista passa por um fenômeno raro, de troca de identidade ao longo de décadas.
Rodrigo Hayashi Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, acrescentou: “É muito importante dar segurança para que empresas venham para São Paulo, principalmente segurança jurídica”.
Em seguida, o painel “São Paulo no palco do mundo” focou no turismo e no entretenimento na cidade. Em 2025, por exemplo, a cidade recebeu 47,2 milhões de turistas.
“Tudo aqui é exponencial, gigante, e os desafios também são”, disse o atual presidente da SPTuris, coronel da reserva Marcelo Vieira Salles, ao reforçar a importância de “juntar iniciativas e pessoas”, assim como garantir qualificação e capacitação para a população.
Diretor da Abrasel em São Paulo, Gabriel Pinheiro contou que o setor de bares e restaurantes é a porta de entrada de muitas pessoas para o mercado de trabalho. “Hoje, só a cidade de São Paulo tem por volta de 45 mil ruas, e são quase dois CNPJs por rua de São Paulo. Então, tem a importância da valorização do setor, que é importante para gerar economia”, afirmou.
Em média, São Paulo tem um evento a cada três minutos, informou Toni Sando, CEO do São Paulo Convention & Visitors Bureau (Fundação 25 de Janeiro) e presidente da Unedestinos. “A gente fala de São Paulo como uma pizza. Ela precisa ser saboreada aos pedaços”, definiu. “No pós-pandemia, as pessoas começaram a sair mais à rua, depois de ficarem tanto tempo presas. Começaram a entender o que é conhecer a própria cidade.”

Para encerrar o evento, no painel “São Paulo que emprega”, a diretora-presidente da São Paulo Negócios, Alessandra Andrade, classificou a cidade como uma facilitadora do empreendedorismo.
“Hoje eu tenho orgulho de falar que na minha cidade se abre uma empresa em menos de 24 horas, quando antigamente eram mais de 120 dias. Então, você ter todo esse ecossistema onde você tem políticas públicas tributárias que facilitam para que as empresas abram. A gente tem uma desburocratização”, afirmou Andrade. “São Paulo é a cidade de todos os povos. Aqui, a gente recebe todo mundo, a gente acolhe todo mundo e muitas pessoas vêm desbravar, fazendo com que o mindset da cidade seja o do empreendedor.”
Em relação a serviços, Alessandra relembrou que, desde os anos 1990, a cidade passa por uma desindustrialização. “As indústrias de fato estão saindo da cidade de São Paulo, são poucas que existem aqui, mas a gente tem todo um novo setor da economia crescendo, criando cada vez mais empregos para a cidade, o que faz com que mude todo o perfil”, disse.
Jair Kaczinski, gerente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em SP, salientou a relevância da formação e da capacitação de pessoas. “A cidade de São Paulo é a porta de entrada para o turismo rural, já começa com a acolhida”, disse.
Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), ressaltou que a sociedade deve estar aberta a transformações e ao “letramento”, no sentido de aprendizado constante e requalificação das pessoas; tudo isso com impulso tecnológico, pensamento crítico e educação financeira. “É difícil achar um lugar aonde a qualidade do serviço é tão boa quanto é em São Paulo. Então, a gente tem e encontra aqui uma mão de obra muito mais predisposta.”

Metrópoles Talks
O Metrópoles Talks é o projeto de debates focado em reunir personalidades brasileiras e internacionais para discussões impactantes sobre comportamento, política, saúde, inovação e reflexões sociais.
Realizado em formato de painéis e palestras em grandes centros urbanos, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, o evento se consolidou como um espaço dinâmico e acessível de interação e aprendizado.


