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Associação relaciona metanol usado em bebidas adulteradas ao PCC

Uma vítima morreu em São Bernardo do Campo e outra na capital paulista por intoxicação de metanol após consumo de bebida alcoólica suspeita

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Uma vítima morreu em São Bernardo do Campo e outra na capital paulista por intoxicação de metanol após consumo de bebida alcoólica suspeita - Metrópoles
1 de 1 Uma vítima morreu em São Bernardo do Campo e outra na capital paulista por intoxicação de metanol após consumo de bebida alcoólica suspeita - Metrópoles - Foto: Adobe Stock

Por meio de nota, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) relacionou o metanol que foi encontrado em bebidas em São Paulo e levou à morte de duas pessoas ao mesmo importado ilegalmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para batizar combustíveis.

Em um período de 25 dias, São Paulo registrou nove casos e duas mortes por intoxicação da substância após ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. Um dos casos fatais ocorreu na capital paulista e o outro em São Bernardo do Campo, na região metropolitana. A causa das mortes foi confirmada nesse sábado (27/9) pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS).

A ABCF suspeita que o fechamento de distribuidoras e formuladoras de combustível diretamente ligadas ao crime organizado podem ser a causa da onda de intoxicações e envenenamentos.

“Ao ficar com tanques repletos de metanol lacrados e distribuidoras e formuladoras proibidas de operar, a facção e seus parceiros podem eventualmente ter revendido tal metanol a destilarias clandestinas e quadrilhas de falsificadores de bebidas, auferindo lucros milionários em detrimento da saúde dos consumidores”, disse a associação.

A vítima de São Bernardo do Campo é um homem de 38 anos que foi internado em um hospital do município em 18 de setembro, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública. Na capital, um homem de 54 anos morreu no dia 15 de setembro. De acordo com a Secretária Municipal de Saúde (SMS), ele apresentou sintomas no dia 9 deste mês e foi atendido pela rede privada.

Autoridades suspeitam de que o metanol, solvente bastante utilizado na fabricação de combustível, esteja sendo usado para adulterar bebidas como gin, whisky e vodka.

A SMS identificou outros 13 casos suspeitos de intoxicação pela substância, dos quais cinco estão em investigação, cinco receberam alta e três pacientes permanecem internados. Já o CVS, órgão ligado ao governo estadual, confirmou seis casos e investiga, ao todo, dez casos no estado de São Paulo.

“A recomendação é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos, e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco”, disse o CVS, em nota.

Alguns casos, inclusive da morte na capital, foram encaminhados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio do Sistema de Alerta Rápido (SAR). Além do óbito, outros oito registros no estado de São Paulo foram reportados ao governo federal em um período de 25 dias. As ocorrências haviam sido feitas anteriormente pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), de Campinas (SP).

Metanol em postos de combustíveis ligados ao PCC

A Operação Carbono Oculto, deflagrada no dia 28 de agosto, apontou um complexo esquema de fraude em postos de combustíveis e fintechs que tinha núcleos comandados pelo PCC. De acordo com a investigação, a fraude começava na importação irregular de metanol, que chega ao país pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. O produto, que era para ser entregue para empresas de química e biodiesel indicados nas notas fiscais, era desviado para postos de combustíveis.

Nos postos de combustíveis, o metanol era adicionado à gasolina e vendido ao consumidor final. Segundo as autoridades, a fraude era tanto quantitativa, porque o consumidor recebia menos combustível do que pagava, quanto qualitativa, uma vez que o metanol está fora das especificações técnicas exigidas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Alguns dos postos que estão sob suspeita das autoridades na operação vendiam combustíveis com até 90% de metanol, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP). O montante é muito superior à porcentagem permitida pela ANP, que determina um limite de até 0,5% dessa substância na gasolina e no etanol.

“O metanol tem restrição na ANP para conter 0,5% em combustíveis, por exemplo, na gasolina e etanol. Não obstante, fiscalizações do estado de São Paulo apontam alguns postos com até 90% de metanol, o que é extremamente arriscado para as pessoas, veículos e meio ambiente”, afirmou Yuri Fisberg, promotor do MPSP, durante coletiva de imprensa logo após a operação.

O metanol é uma substância utilizada na indústria como solvente, principalmente na produção de combustíveis sintéticos. A substância é altamente tóxica e inflamável e, justamente por isso, seu uso e comercialização é controlado pela ANP.

Em um dos documentos da investigação, no entanto, o MP afirma que somente um dos núcleos identificados pelos agentes, o produto restrito correspondia até a 50% da composição da gasolina.

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