Como "mestre da voz" usou ciência para fazer alunos chegarem ao Rock in Rio.
Bill Sandre é o “mestre da voz” por trás de nomes como Lucas Inutilismo, Matuê, Di Ferrero e outros artistas que se apresentam em festivais

Conhecido como “mestre da voz” e professor de nomes como Matuê, Di Ferrero, Digão, Lucas Inutilismo, Badauí, Teto, Brandão e outros grandes nomes do rock e do pop rock brasileiro, Bill Sandre tem um vasto currículo de artistas que chegaram aos palcos do Rock in Rio – Lucas Inutilismo, inclusive, se apresenta na edição deste ano do festival neste sábado (5/9).
Além de professor de canto, Bill é um preparador vocal e um estudioso que, diferentemente da maioria dos mestres, ensina os alunos através da ciência da voz. Ao Metrópoles, ele explicou que, em suas aulas, faz com que os artistas entendam o princípio, a partir da fisiologia do exercício, de como as coisas realmente funcionam.
“É tudo uma questão de você primeiro entender as notas, que é ouvido, e a questão de respiração e firmar a garganta – o mecanismo glótico – certinho para fazer as notas que você quer dentro da harmonia. Só isso, nada mais que isso. Então, se tem alguém tocando, você vai cantar dentro da harmonia e fazer a melodia. Nós cantamos desde os primórdios. Se o ser humano fala, o ser humano canta”, afirmou Sandre.
Ele especificou que cantar é condicionar o corpo e a mente, como se faz com o exercício físico. Apesar de haver pessoas que nascem com predisposição – tanto para a academia ou para a música – qualquer um consegue cantar, desde que estude e se dedique.
Roqueiro por natureza, Bill Sandre também deu aulas para cantores de outros gêneros, como o trap, por exemplo. Ele revelou que precisa se adaptar às necessidades que cada cantor tem e criar exercícios com base nisso. “Eu não vou pedir para o Matuê fazer os mesmos exercícios que o Di Ferrero e não vou pedir para o Di Ferrero fazer os mesmos exercícios que o Mi Vieira”, explicou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Cada cantor precisa ser condicionado de maneira diferente para desenvolver, da própria forma, para a própria música ter a própria performance. Porque cada um deles vai ter uma performance diferente no palco. E vai ter a própria poesia, vai ter a maneira de respirar diferente, vai ter a própria extensão vocal diferente e a própria anatomia diferente”, disse.
Como o autismo se relaciona com o título de “mestre da voz”
Diagnosticado como autista há sete anos, Bill Sandre revelou que, até então, não sabia que a música era o hiperfoco dele, apesar de ser algo que sempre gostou muito. Para ele, o laudo só o ajudou a se sentir mais confortável consigo mesmo e tirar algumas culpas.

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Ver todasOutro grande foco do professor é nada mesmo que a banda Linkin Park. Ele, inclusive, é conhecido como Chester Bennington brasileiro de tão fã que é do artista norte-americano que faleceu em 2017 e porque os dois cantam parecido. Segundo Sandre, a principal diferença entre os dois é que ele escolheu não ser um rockstar famoso.
“Eu escolhi outras coisas para a minha vida. Eu nunca fui de usar nenhum tipo de entorpecente, de ir para a balada ficar bebendo. Sempre fui um cara mais resguardado, mais simples que recorreu aos estudos. Em vez de eu escolher o caminho do rock and roll e da fama, eu escolhi o caminho dos estudos”, contou.
Bill revelou ao Metrópoles que teve oportunidade de se tornar um rockstar e que, inclusive, foi convidado para ser produzido por Zé Ricardo, curador do Rock in Rio. Atualmente, o professor mora em São Paulo com a esposa e a filha, onde canta em uma banda cover de Linkin Park e vive “nos bastidores”.



















