Menino de 9 anos morreu envenenado após comer chocolate, aponta laudo

Certidão de óbito apontou que Pietro, de 9 anos, morreu vítima de envenenamento. A mãe do menino desconfia de ex-namorado

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Um menino, de 9 anos, morreu vítima de envenenamento após consumir chocolates, conforme apontou a certidão de óbito da criança, expedida nesta semana. O caso aconteceu na zona leste de São Paulo.

Pietro Alexandre Cunha de Oliveira passou mal, em 2 de março, após consumir chocolates supostamente enviados pelo ex-namorado da mãe. Ele faleceu em 9 de março, depois de permanecer internado por sete dias. O irmão de Pietro, de 6 anos, também chegou a ser hospitalizado.

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Pietro e o irmão de 6 anos de idade
Alexandra e os três filhos. Pietro era o mais velho, com 9 anos de idade
Alexandra e o filho Pietro, morto aos 9 anos de idade após envenenamento
Pietro e os dois irmãos, de 6 anos e 1 ano e 8 meses
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Pietro e os dois irmãos, de 6 anos e 1 ano e 8 meses

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Pietro e o irmão de 6 anos de idade
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Pietro e o irmão de 6 anos de idade

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Alexandra e os três filhos. Pietro era o mais velho, com 9 anos de idade
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Alexandra e os três filhos. Pietro era o mais velho, com 9 anos de idade

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Alexandra e o filho Pietro, morto aos 9 anos de idade após envenenamento
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Alexandra e o filho Pietro, morto aos 9 anos de idade após envenenamento

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Mãe desconfia de ex-namorado

Segundo Alexandra Silva de Oliveira, de 28 anos, mãe da criança, Pietro consumiu chocolates enviados por um ex-namorado dela. O homem, que é cabo da Polícia Militar de São Paulo, é pai do filho mais novo da mulher, de 1 ano e 8 meses.

O relacionamento entre os dois foi breve, e durou cerca de dois meses. Após ela anunciar a gestação, a relação se tornou conturbada. “Foi depois que eu falei pra ele que eu tava grávida que tudo começou”, disse Alexandra.

O PM não acreditava ser pai da criança, mas um exame de DNA, determinado pela Justiça, confirmou a paternidade.

Em decisão de setembro do ano passado, a Justiça determinou ainda o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão alimentícia – exigências que não foram cumpridas até a publicação desta reportagem.

Alexandra conta que sempre que pedia algo ao ex-namorado para o filho mais novo, como dinheiro ou fraldas, ele se negava, argumentando que deveria esperar uma decisão da Justiça.

Em 28 de fevereiro deste ano, no entanto, a mulher entrou em contato novamente com o genitor, pedindo um valor em dinheiro para comprar fraldas para o filho bebê. Segundo ela, foi a primeira vez que o homem concordou sem hesitar.

Ele enviou, via transporte de aplicativo, uma sacola contendo fraldas e lenços umedecidos para o filho. Junto, havia uma sacola com chocolates, como o homem já havia enviado no final de janeiro – ocasião em que todos comeram os doces e não passaram mal.

O bebê não consumiu qualquer chocolate. Os dois meninos, de 6 e 9 anos, comeram, sendo que Pietro, o filho mais velho, consumiu em maior quantidade.

Conforme Alexandra, “foi tudo muito rápido”. Pietro começou os doces por volta das 19h de 2 de março. Cerca de 40 minutos depois, o menino começou a passar mal. Ele foi se deitar e, em seguida, reclamou de dor na barriga e dor no corpo, além de apresentar visão turva e suor.

Momentos depois, a criança passou a espumar pela boca e parou de verbalizar. Ele também não conseguia vomitar. A família deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Júlio Tupy, no Parque Guaianases, às 20h12.

Pietro foi imediatamente encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e intubado. De madrugada, foi transferido para o Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista. O menino permaneceu internado no local por sete dias, até falecer.

O irmão dele, de 6 anos de idade, apresentou sintomas semelhantes pouco depois, e também foi encaminhado ao Tide Setúbal. Ele melhorou do quadro e recebeu alta no msmo dia em que Pietro faleceu. O bebê, que não consumiu qualquer um dos doces, não apresentou nenhum sintoma.

O próprio garoto de 6 anos desconfia que os chocolates tenham causado o desconforto. Segundo Alexandra, ainda no hospital, o menino teria dito a ela: “mãe, foi depois que a gente comeu aquele negócio que a gente passou mal”.

A mulher conta que a relação entre ela e o namorado, mesmo que breve, era conturbada. Sempre que discutiam, Alexandra recebia mensagens ameaçadoras por um número desconhecido, segundo o relato. “Vou invadir sua casa” e “vou te matar grávida” estão entre as intimidações recebidas.

“Eu sentia medo por mim, dele fazer algo comigo. Nnunca imaginei que ele faria algo com as crianças. Se fosse uma caixa de bombom pra mim, eu teria jogado no lixo”, disse ao Metrópoles.

PM nega ter enviado os doces

Quando estava no hospital com os filhos internados, Alexandra foi orientada pela advogada e pela assistente social do local a questionar o ex-namorado sobre a origem dos doces.

O homem negou ter enviado qualquer chocolate e em seguida apagou a conversa, deixando apenas as mensagens que afirmava estar enviando fraldas e lenços para o filho bebê.

Ele negou até mesmo ter enviado os produtos por transporte de aplicativo. Após mais questionamentos, Alexandra foi bloqueada por ele no aplicativo de mensagens.

Polícia investiga

Com a certidão de óbito indicando morte por envenenamento, o caso passou a ser investigado como homicídio. O cabo da PM, no entanto, ainda não é considerado suspeito. Antes disso, um laudo do Instituto de Criminalística (IC) deve comprovar que o veneno estava presente nos chocolates consumidos pelas crianças.

O exame deve ser finalizado no início do próximo mês, cerca de 30 dias após o óbito, conforme explicou o advogado Eduardo Karkar, que representa a família.

“O delegado está aguardando o laudo do IC. Ele já tem conhecimento da cetidão de óbito, que [a morte] foi  por envenenamento. Agora, a fase final é o IC mesmo, pra poder dar andamento e [a autoridade policial decidir] qual direção vai tomar”, afirmou.

O caso é investigado por meio de inquérito policial no 68º Distrito Policial (Lageado). “A equipe da unidade realiza diligências e aguarda a conclusão dos laudos requisitados para auxiliar no esclarecimento dos fatos”, afirmou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) em nota.

A polícia teve acesso ao que restou dos chocolates e ao código de rastreio da corrida de aplicativo que levou os doces, o que deve contribuir com a investigação.

“A família não pede espetáculo, pede a verdade, pede investigação séria e justiça”, disse o advogado.

Abalada, Alexandra afirmou que “a ficha ainda não caiu”. Ela disse que evita falar sobre o assunto com o filho de 6 anos, que era bastante apegado a Pietro e demonstra sentir saudades do irmão.

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