MC Ryan acumula escândalos na Justiça. Reveja casos envolvendo músico
Funkeiro MC Ryan foi preso pela PF na manhã desta quarta-feira (15/4), em operação que investiga lavagem de dinheiro ligado ao tráfico
atualizado
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Preso em operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (15/4), MC Ryan acumula uma série de polêmicas ao longo da carreira. Os episódios vão desde manobras perigosas dentro de um estádio em Piracicaba, no interior de São Paulo, até a agressão à namorada, Giovanna Roque, mãe de sua filha.
Em setembro de 2024, um vídeo que passou a circular nas redes sociais mostrava Ryan dando chutes e pontapés em Giovanna. As imagens haviam sido gravadas por uma câmera de segurança cinco meses antes do caso vir à tona. À época, a influenciadora chegou a sair em defesa do namorado, afirmando que os dois tiveram uma discussão e que ela também teria partido para cima dele.
O funkeiro também se pronunciou sobre o caso e afirmou: “Eu não fui um cara leal à minha família. Errei e estou muito arrependido”. Quando o vídeo se tornou público, os dois estavam separados há alguns dias. O casal chegou a reatar e anunciou um novo término em maio de 2025. Meses depois, Giovanna e Ryan anunciaram que retomaram o relacionamento.
Invasão à escola
A agressão a Giovanna Roque foi o evento de maior repercussão, dado à gravidade do episódio. Mas um ano antes, o cantor já havia se envolvido em um escândalo ao “invadir” uma escola pública encapuzado e usando máscara. Ao ser reconhecido pelos alunos, o funkeiro causou tumulto na unidade. Ele chegou a ser processado por uma coordenadora e condenado a pagar uma indenização de R$ 10 mil por danos morais. A invasão foi registrada por Ryan nas redes sociais.
Ferrari adulterada
Em abril de 2024, MC Ryan foi levado à Superintendência da Polícia Federal após uma abordagem policial. O cantor dirigia sua Ferrari na região central da capital paulista, quando foi parado por policiais militares, que constataram que o veículo tinha uma cor diferente daquela apontada no documento.
Mais tarde, ao comentar o assunto nas redes sociais, ele disse que tudo não passou de uma “abordagem de rotina”.
“Cavalo de pau” em estádio
Na madrugada de 10 de maio de 2025, o artista foi preso após manobras perigosas, conhecidas como “cavalo de pau”, realizadas com uma Lamborghini no Estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba, interior de São Paulo. Ele chegou a causar danos no gramado, que é usado pelo clube XV de Piracicaba.
Além do prejuízo causado ao patrimônio público e de colocar em risco a segurança de pessoas que estavam no local, Ryan dirigia sem possuir habilitação, segundo a Polícia Civil. Ele passou por audiência de custódia e teve a liberdade provisória concedida após o pagamento de fiança de R$ 1 milhão.
CPI dos Pancadões
Já em setembro do ano passado, MC Ryan foi convidado a depor na CPI dos Pancadões, da Câmara Municipal de São Paulo. A comissão investigava a realização de festas clandestinas na capital paulista. Ele não compareceu à oitiva.
Diante das esquivas do cantor em comparecer à CPI, ele foi intimado a prestar depoimento. Durante a visita à Câmara, ao ser questionado sobre letras de músicas que fazem referência à narco-cultura, o funkeiro chegou a cantar um trecho de “Cracolândia”, sua parceria com Alok e outros MCs que busca trazer uma conscientização sobre o impacto das drogas na vida dos jovens da periferia.
Operação Narco Fluxo
Os escândalos se juntam à prisão de Ryan nesta quarta-feira, quando foi alvo da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF. As investigações apontam que o cantor seria o líder de um esquema de lavagem de dinheiro oriundo de apostas ilegais, rifas digitais e do tráfico de drogas. As autoridades citam, inclusive, um vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Vale lembrar que o MC é ex-enteado de Eduardo Magrini, o Diabo Loiro, apontado como um dos nomes do alto-escalão do PCC. Magrini está preso desde outubro do ano passado, em uma outra operação apurava um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois traficantes procurados pela Justiça.
Entenda a Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos por Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos;
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, e no Distrito Federal;
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação;
- Entre os presos na operação desta quarta, estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei;
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan; - O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas;
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”;
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento;
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, a defesa de Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Acrescentou ainda: “Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. Os advogados ainda afirmaram confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.































