
São PauloMáfia Chinesa: estrangeiras são presas com metanfetamina no Centro
As mulheres foram presas em um imóvel na região central de São Paulo, onde foram encontradas porções de metanfetamina e dinheiro em espécie

As investigações sobre o assassinato de um empresário chinês, ocorrido em novembro do ano passado, levaram a Polícia Civil a desarticular um esquema de tráfico de metanfetamina em São Paulo. Nessa terça-feira (9/6), duas mulheres estrangeiras foram presas em um imóvel na região central da capital, onde foram encontradas porções de metanfetamina, materiais utilizados na preparação da droga e dinheiro em espécie.
A apuração da morte ocorrida em novembro de 2025 já levou à prisão de cinco pessoas suspeitas. As primeiras detenções ocorreram no início deste ano, quando três suspeitos foram presos.
Durante o trabalho investigativo, os policiais descobriram que um dos suspeitos de participação no homicídio também atuava no tráfico de drogas. A partir dessa informação, foi identificada a organização voltada à comercialização de metanfetamina.
“À medida que as apurações avançaram, os policiais conseguiram não apenas esclarecer a morte do empresário, mas também identificar outros crimes relacionados ao caso e compreender as circunstâncias que levaram ao assassinato”, disse o Bruno Cogan, da 2ª Delegacia de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), envolvido nas diligências.
O narcótico é de difícil produção, tem um alto valor de mercado e um consumo mais restrito, principalmente entre estrangeiros residentes no Brasil. De acordo com a Polícia Civil, entre os integrantes do grupo havia dois estrangeiros na organização: um deles seria responsável pela liderança do esquema de distribuição, enquanto o outro é apontado como um dos membros mais violentos da estrutura criminosa.
Nessa terça-feira (9/6), em mais uma fase da operação, os policiais cumpriram mandados na região central da capital e prenderam mais duas mulheres estrangeiras. As suspeitas foram autuadas por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Combate à metanfetamina
Em janeiro deste ano, a partir de uma apreensão de 2 kg de metanfetamina e do celular de um investigado, a Polícia Civil desmontou uma rede de traficantes chineses, nigerianos, mexicanos e portugueses que dominam a venda da droga nas ruas da capital paulista. Alvos de prisão na Operação Heisenberg, 60 investigados faziam parte dessa engrenagem.
A operação foi batizada de Heisenberg, inspirada no apelido do personagem Walter White, da série televisiva Breaking Bad. Protagonista, White é um professor de química que se torna um temido líder do tráfico de metanfetamina no Novo México. A ação policial foi deflagrada no dia 17 de dezembro, com o apoio de 280 policiais civis e o cumprimento de 101 mandados de buscas, além das prisões.
Tudo começou quando um chinês — uma testemunha cuja identidade é mantida em sigilo — procurou a Polícia Civil e denunciou o esquema.
Ele disse que veio ao Brasil em razão de uma proposta tentadora de emprego, mas acabou descobrindo que teria de trabalhar para o delivery de tráfico de drogas. A partir da dica, policiais flagraram, em julho deste ano, chineses com 2 kg da droga em um apartamento no centro de São Paulo.
Um dos presos, Pikang Dong, conhecido como “Rodízio”, teve o celular apreendido. Mensagens encontradas a partir da perícia no aparelho revelaram diálogos sobre a compra e venda da droga com traficantes de outras nacionalidades.
Máfia chinesa
Um especial produzido pelo Metrópoles revelou os tentáculos da máfia chinesa em São Paulo em diferentes frentes de crime: desde extorsões e assassinatos, até tráfico de drogas e armas.
A série de reportagens mostra a presença de imigrantes chineses em diversos grupos criminosos. Em alguns deles, como na fabricação e comercialização de metanfetamina, os chineses assumem posição de liderança.
O Metrópoles também mostrou que o grupo criminoso usa hotéis em São Paulo para fazer a distribuição da droga.
Os clientes, por sua vez, usam as hospedagens para consumir o entorpecente, geralmente no chamado chemsex – ou sexo químico, em que a metanfetamina acompanha transas para transformar a experiência dos envolvidos.

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