Chamado de maconheiro pela ex, Bove quer teste toxicológico em alunos
Deputado Lucas Bove (PL) fumava maconha enquanto intimidava Cíntia Chagas com arma de fogo, segundo denúncia da influenciadora
atualizado
Compartilhar notícia

O deputado estadual Lucas Bove (PL), apontado pela ex-esposa, Cíntia Chagas, como usuário de maconha em denúncias sobre agressão física, ameaça e violência psicológica, propôs um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que obriga a realização de exame toxicológico para o ingresso e a renovação de matrícula em universidades estaduais paulistas.
PL propõe toxicológico para estudantes de universidades de SP
Formado em administração e comércio exterior pela instituição privada Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, Bove propôs no PL 349/2023 que a permanência de estudantes no ensino superior público do estado deve depender da realização do exame toxicológico realizado anualmente.
O PL, que tem autoria conjunta com o deputado estadual Altair Moraes (Republicanos), foi proposto em março de 2023. Em maio do ano passado, o projeto foi recebido pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, com voto favorável do relator, o deputado Carlos Cezar (PL). Desde então, seis deputados deram vista ao projeto, que está parado na Casa legislativa desde maio deste ano.
Apontado como maconheiro pela ex
Nessa quinta-feira (23/10), Bove foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por violência psicológica, perseguição, ameaça e lesão corporal – crimes que teriam sido cometidos contra a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas. O órgão ministerial também pediu a prisão preventiva do parlamentar, o que depende da análise da Justiça antes de se tornar um decreto.
Na denúncia, obtida pelo Metrópoles, a promotora Fernanda Raspantini Pellegrino detalha as denúncias feitas por Cíntia durante o casamento e após a separação, ocorrida em setembro do ano passado.
De acordo com as acusações da influenciadora, Bove tinha o hábito de fumar maconha e, enquanto isso, empunhar a arma de fogo em direção à então esposa em tom de “brincadeira”. A promotoria considerou o ato como uma intimidação “ostensiva”.
Em uma ocasião específica, em julho de 2024, o deputado teria fumado maconha e apertado o mamilo de Cíntia enquanto eles estavam na presença de uma amiga dela – o que ele fazia frequentemente.
Ele chegou a passar a mão debaixo da roupa da então esposa, naquele episódio, dizendo para a outra mulher presente: “Olha o que eu faço com sua amiga”. A situação teria deixado as duas constrangidas.
Histórico de agressões
- De acordo com a denúncia obtida pelo Metrópoles, Bove é acusado de agressões físicas, violência psicológica, perseguição e ameaças, além de um padrão reiterado de descumprimento de medidas protetivas após a separação.
- Ele teria cometido violência física ao menos três vezes, entre agosto de 2022 e julho de 2024, geralmente com apertões, causando hematomas, lesões e humilhações públicas.
- Dentre os apertões, o parlamentar tinha o hábito de apertar os mamilos da então esposa em público, deixando-a constrangida.
- No mesmo período, Bove tinha o hábito de apontar sua arma de fogo para Cíntia, como “brincadeira”, enquanto fumava maconha, diz a denúncia.
- Em um momento, ele chegou a jogar uma faca na perna da mulher, e a ameaçou de morte, dizendo que o segurança dele esconderia o corpo.
- Em outro, a ameaçou de agressão, com punho cerrado, e disse: “Você só não vai apanhar agora porque tem 6 milhões de seguidores”.
- Ele também teria cometido violência psicológica contra a vítima, entre agosto de 2022 e julho de 2024, por meio de constrangimento, humilhação, isolamento e ridicularização.
- Segundo os relatos de Cíntia, Bove tinha ciúmes excessivo e desconfiança, e chegou a fazer com que ela apagasse campanhas publicitárias por achar as imagens inadequadas.
- Ele também pedia prints e comprovantes para ter certeza de onde ela estava e se estava acompanhada.
- As insinuações de que ela estaria tendo um caso fizeram com que Cíntia cortasse relações com uma empresária e dispensasse seu cabeleireiro.
- Após a separação, em agosto do ano passado, Bove passou a ameaçá-la de morte, inclusive para amigas dela, e a perseguir a influenciadora.
- Ele teria utilizado advogados e a própria equipe para entrar em contato com Cíntia e usado números de telefone da Alesp para ligar para ela após ter sido bloqueado.
- As agressões e violência psicológica causaram dano psicológico à mulher, que passou a usar antidepressivos, sofreu queda de cabelo e desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Ela também passou a utilizar veículo blindado por medo.
Processos e medidas protetivas
Logo após a separação, em setembro do ano passado, Cíntia registrou um boletim de ocorrência contra Bove e entrou com um pedido de medida protetiva, que foi acatado pela Justiça. Ele ficou proibido de manter contato, se aproximar e frequentar lugares em que ela esteja. As cautelares permanecem vigentes e o divórcio foi oficializado em 14 de setembro.
Em setembro deste ano, ele foi indiciado por ameaça e violência psicológica. E, nesta quinta, o MPSP o denunciou por violência psicológica, perseguição, ameaça e lesão corporal. Além disso, há uma ação penal instaurada por descumprimento de medidas protetivas. O órgão ministerial pede à Justiça a prisão preventiva do parlamentar.
O que dizem as partes
Em nota, a defesa de Cíntia afirmou que a denúncia oferecida pelo MPSP “representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vítima”.
Segundo a advogada Gabriela Manssur, a denúncia formal reafirma o que “sempre sustentaram”: “Que não há espaço para o abuso, para a impunidade e para o uso do poder como instrumento de opressão”.
Em publicação nas redes sociais após a repercussão do pedido de prisão preventiva, Bove afirmou que o requerimento ocorreu após ele “responder a uma pergunta sobre fatos que já eram públicos e que foram vazados”. Ele acrescentou que a Delegacia da Mulher “afastou totalmente as acusações de violência física”, o indiciando por violência psicológica.
O parlamentar afirmou que um laudo atestando a ausência de dano psicológico na vítima foi ignorado pela delegacia. Ele lembrou ainda que Cíntia falou publicamente à imprensa nessa quarta (22/10) sobre o episódio no qual ele atirou uma faca nela. “Segredo de Justiça com uma cautelar que me proíbe também de falar! E nada acontece…”, afirmou Bove.
Em nota ao Metrópoles enviada nesta sexta-feira (24/10), a defesa de Lucas Bove afirmou que o parlamentar recebeu o oferecimento da denúncia do MPSP “com enorme surpresa”, especialmente pelo “descabido pedido de prisão”. Para os advogados, “inexistem razões, pressupostos e/ou requisitos para a cogitação ou adoção dessa medida”.
A defesa acrescentou que não se conforma com “o vazamento contínuo de informações a respeito do processo, que possui segredo e sigilo judicial e é alvo de comentários da citada Cíntia Maria Chagas”.
Além disso, a defesa diz que já se manifestou nos autos, formalmente, contra o pedido do MPSP e que confia na Justiça. “Nosso cliente continuará empenhado a comprovar que não praticou crime algum.”













