Bove aciona Conselho de Ética contra deputada que o chamou de agressor
Lucas Bove entrou com representação contra colega. Deputado responde por violência doméstica contra a ex-esposa, Cíntia Chagas
atualizado
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O deputado estadual Lucas Bove (PL) foi ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para protocolar uma representação por quebra de decoro contra a também deputada Paula Nunes (PSol). Ele acusa a colega de calúnia e difamação após ser chamado de “agressor de mulher” pela parlamentar.
O caso aconteceu no início do mês, quando Bove e a deputada entraram em um bate-boca durante uma sessão da Alesp. Durante a discussão, o parlamentar gritou com colegas mulheres. “Me chama de agressor, me chama do corrupto, porra!”, disse ele.
Bove é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por violência contra a mulher, violência psicológica, ameaça, injúria e perseguição contra a ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas.
Na representação, Bove argumenta que as acusações da ex-companheira são caluniosas e não têm fundamento. Ele ainda destaca que a influenciadora foi condenada a pagar indenização para outro ex-companheiro que ela acusou.
“Eu entrei no Conselho de Ética porque ela me chamou de agressor no plenário e nas redes sociais”, afirmou o deputado ao Metrópoles. “Não foi porque ela citou o caso. Citar o caso, independentemente de ser verdade, ou não, eu respeito que ela cite”, completou.
O deputado também lembra que ele próprio foi alvo de representações no Conselho de Ética após a denúncia de agressão, mas o caso acabou arquivado por seis votos contra um. Após o arquivamento, Paula Nunes fez publicações nas redes sociais o chamando de agressor de mulher.
“Tal conduta, com propagação de fake news, adotada pela deputada Paula Nunes de maneira precipitada e sensacionalista, atinge de forma grave a honra, a dignidade e a reputação do parlamentar, ao mesmo tempo em que desinforma a sociedade, valendo-se da exposição em redes sociais para difundir inverdades”, diz a representação.
Em nota, a deputada do PSol afirmou que a medida é injusta e uma tentativa de intimidação. “Este não é um processo comum, ele acontece depois do arquivamento do processo e de um descontrole assustador do Bove em uma sessão que estava sendo transmitida ao vivo”, afirmou.
“É sintomático que a resposta dele seja tentar impedir o exercício do nosso mandato, que foi eleito democraticamente e que tem o compromisso de defesa dos direitos das mulheres, trata-se de repetição da prática de violência política de gênero e raça”, destacou Paula Nunes.
Caso Cíntia Chagas
- O deputado estadual Lucas Bove (PL) é acusado de agredir Cíntia Chagas.
- Ele teria arremessado uma faca contra a então esposa depois que ela se negou a parar de jantar para tirar uma foto com Michelle e Jair Bolsonaro (PL), durante o casamento da filha do empresário Paulo Junqueira, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em agosto de 2024.
- A agressão com arma branca teria sido o estopim para a separação do casal, mas, de acordo com Cíntia, as ameaças começaram mais de dois anos antes, quando os dois ainda eram namorados.
- No início de setembro do ano passado, a influencer registrou denúncia contra o deputado estadual, mas as acusações só vieram à tona publicamente em outubro.
- Atualmente, o deputado está impedido de se aproximar a menos de 300 metros da ex-companheira.
- Ele também não pode ligar, enviar mensagens de texto nem mencioná-la nas redes sociais.
- O processo tramita na Vara de Violência Doméstica do Fórum do Butantã, na capital, e está em segredo de justiça.
Bate-boca na Alesp
A briga do dia 2 de setembro começou enquanto Mônica Seixas (PSol) discursava na tribuna a respeito da nomeação do corregedor-geral do estado Wagner Rosário. A deputada usou o microfone para perguntar se sua colega, Professora Bebel (PT), estava incomodada com Bove, que conversava com ela na plateia.
O deputado se incomodou com a pergunta e começou a gritar, dando início ao bate boca. De um lado, Bove, gritava frases como “não se mete nas conversas dos outros, folgada”, enquanto Seixas respondia, também gritando, “ninguém tem medo de você. Está muito acostumado a ser violento com mulher”.
A briga continuou por alguns minutos. Além de Mônica Seixas, outra parlamentar do PSol, Paula da Bancada Feminista, começou a gritar: “Vai bater em mulher, Lucas?” e “bate com alguém filmando”.
A oposição ao governo usou a discussão para pedir o adiamento da votação da nomeação de Rosário — o que foi reprovado por 58 votos contra e 14 a favor. Depois da briga, Bove foi ao microfone se desculpar por ter perdido a paciência.
