Lula defende fim da 6×1 a empresários: “Ninguém vai impor na marra”. Veja vídeo
Em agenda direcionada a empresários do setor da construção civil, Lula pediu que empresários não se assustem com o fim da escala de trabalho
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou sua defesa pelo fim da escala de trabalho 6×1 em um evento internacional da indústria da construção civil, realizado nesta terça-feira (19/5), na zona norte de São Paulo.
No discurso, Lula pediu para que empresários do setor “não se assustem” com a proposta de emenda à Constituição (PEC) em debate no Congresso Nacional. Na quarta-feira (20/5), o deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator do texto, deve apresentar a primeira versão de seu parecer sobre a mudança trabalhista.
Lula afirmou que o povo quer mais tempo para ficar em casa, ter lazer, estudar e “namorar”. Além disso, o presidente voltou a dizer que não vai impor a medida a ninguém, mas que precisa respeitar a realidade de cada profissão, “trazer mais benefício para a sociedade brasileira”. Em março, ele havia dito que a PEC não seria imposta “goela abaixo“.
“Mas enquanto tiver trabalhador, a gente tem que saber o seguinte, a gente tem que respeitá-los e nós sabemos que a jornada de trabalho, ela vai ser aplicada, levando em conta a especificidade de cada categoria. Ninguém vai impor, sabe, na marra“, disse.
Nessa segunda-feira (18/5), o tema também entrou na pauta do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele defendeu que a proposta considere os ônus ao setor produtivo.
“Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala menor, ganhar a mesma coisa e estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador. E trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema”, disse o governador na Apas Show, evento da Associação Paulista de Supermercados.
Da mesma forma, Lula considerou ser importante respeitar a realidade de cada categoria. “É preciso a gente respeitar a realidade de cada categoria, de cada profissão, de cada setor econômico, para a gente fazer as coisas que resultem no benefício que nós queremos resultar, de trazer mais benefício para a sociedade brasileira”, completou nesta terça, em São Paulo.
Uma das reações sobre o tema no evento no Anhembi foi do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Renato Correia, o anfitrião da agenda.
“Nós temos o desafio, obviamente, da redução de jornada, um tema que nos preocupa. Não no que fazer, o que fazer o senhor já definiu que vamos reduzir, mas é como fazer. E eu tenho certeza que o senhor e a sua equipe vão trabalhar para que esse impacto não seja relevante, ou seja, a gente vai ter o tempo adequado para fazer essa transição“, afirmou.
Lula em SP
Lula participou da abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), na capital paulista. Posteriormente, ele deve seguir para o lançamento do programa Move Aplicativos, às 14h30, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo.
O presidente estava acompanhado do ministro das Cidades, Vladimir Lima, do advogado-geral da União Jorge Messias, rejeitado pelo Senado ao Supremo Tribunal Federal, do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDS), Aloísio Mercadante, e das ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também estava previsto de comparecer ao evento em São Paulo, mas precisou representar o presidente na abertura da Marcha dos Prefeitos, em Brasília. Alckmin foi vaiado ao dar “bom dia” aos presentes no evento.
É o segundo dia consecutivo em que Lula cumpre agenda no estado de São Paulo. Nessa segunda-feira (18/5), o presidente participou da inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, e de uma agenda na refinaria em Paulínea, em que anunciou um investimento de R$ 37 bilhões até 2030 no setor.
À noite, o presidente passou por um check-up no Hospital Sírio-Libanês, onde passou por consultas médicas de acompanhamento relacionadas a um procedimento realizado em abril deste ano, quando Lula passou por cirurgia para remover uma lesão de pele na cabeça.
De acordo com o boletim médico, o presidente “apresentou evolução satisfatória, conforme o esperado, e sem intercorrências. O presidente mantém suas atividades habituais e segue em acompanhamento”.
















