Tarcísio diz que fim da 6×1 vai reduzir poder de compra do trabalhador. Veja vídeo
Em evento com empresários, governador de São Paulo defendeu que debate não seja precipitado e também leve empregadores em consideração
atualizado
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o projeto do governo Lula (PT) para acabar com a escala 6×1. Em fala direcionada a empresários, Tarcísio defendeu que a proposta também considere os ônus ao setor produtivo.
“Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala menor, ganhar a mesma coisa e estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador. E trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema”, disse o governador na Apas Show, evento da Associação Paulista de Supermercados.
“Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador. Não adianta achar que o trabalhador que vai ter a sua jornada reduzida, mas vai perder o seu poder de compra, vai aproveitar essa jornada com a sua família. Ele vai ter que perder o tempo livre, fazendo bico para garantir o mínimo de renda. Isso é extremamente preocupante”, acrescentou Tarcísio.
Segundo Tarcísio, as diferentes propostas sobre o tema “devem ser encaradas com muita seriedade, não de uma forma açodada“. O pré-candidato à reeleição no estado também afirmou que a maioria dos supermercados paulistas funciona com escala 5×2 sem redução da carga-horária. De acordo com o governador, isso garantiu a renda e a formalidade dos trabalhadores.
Fim da escala 6×1
O projeto para acabar com a jornada de seis dias de trabalho para um dia de folga e reduzir a jornada de trabalho é uma das principais bandeiras de Lula, que também é pré-candidato à reeleição.
Enviado pelo governo ao Congresso em abril, o projeto de lei 1838/26 reduz de 44 horas para 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sem redução no salário. A medida também prevê ao trabalhador dois descansos remunerados por semana, preferencialmente aos sábados e domingos. O objetivo, segundo o governo, é melhorar a produtividade do país, com trabalhadores mais qualificados e com menos adoecimentos.
Paralelamente, o Congresso também discute uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta é prioridade da Casa este mês, com a expectativa de que seja construído um texto de convergência.
De acordo com o Motta, será necessário “sentar para tentar fazer um texto de convergência”. “Essa matéria não é uma matéria que pertence a um partido ou pertence ao governo, ela pertence ao país”, completou.
O parlamentar destacou que tanto a PEC quanto o projeto de lei terão prosseguimento na Casa. Segundo ele, o objetivo é adequar a legislação e garantir segurança jurídica para empregadores e empregados. Situações específicas serão tratadas no projeto de lei e em convenções trabalhistas.
