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Brasil

PEC do fim da escala 6x1 avança na Câmara, mas é incógnita no Senado

Integrantes da comissão especial relatam falta de articulação com Alcolumbre e medo de piora na relação com Lula respingar no Senado

12/05/2026 02:00
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Vinícius Schmidt/Metrópoles @vinicius.foto
PEC do fim da escala 6×1 avança na Câmara, mas é incógnita no Senado

À medida que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 avança na Câmara dos Deputados, com o ritmo sendo ditado pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), crescem as dúvidas entre deputados sobre o futuro que a redução da jornada de trabalho terá no Senado Federal.

A expectativa é que a proposta seja votada no plenário em 27 de maio. No entanto, os deputados estão tendo que lidar com a incerteza quanto à tramitação que a PEC terá no Senado. Parlamentares ouvidos pela reportagem têm sinalizado preocupação sobre a falta de interlocução com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Quando anunciou Prates para a relatoria, Hugo Motta disse que falaria com o senador após a instalação da comissão especial para tratar de um cronograma. Já nesta semana, o presidente da Câmara afirmou que só vai conversar com o chefe do Senado após a aprovação do texto no colegiado.

Para garantir que a proposta esteja pronta para ser votada no fim deste mês, o relator, Leo Prates (Republicanos-BA), tenta fechar um acordo para que o texto, que hoje tramita na comissão especial, trate somente das regras gerais da nova escala de trabalho e que a transição e especificidades de cada segmento fiquem para depois, via um projeto de lei.

A estratégia é defendida por Prates e pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem sido não só o interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no processo, mas um aliado para o relator. Por ora, a possibilidade também tem agradado Motta, porque facilitaria o cumprimento do cronograma.

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O que diz a PEC do fim da escala 6×1

  • Para dar início à tramitação da redução da jornada, Motta apensou duas propostas de emendas constitucionais: a PEC 221/19, de Reginaldo Lopes (PT-MG) e a PEC 8/25, de Erika Hilton (Psol-SP)
  • A proposta do petista estipula a redução da jornada para 36 horas semanais, sem diminuição de salário e com uma transição de 10 anos, enquanto a da psolista propõe ainda um limite a quatro dias de trabalho e uma transição de um ano
  • Em meio à tramitação, o governo enviou um projeto de lei em que propunha uma jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias consecutivos de folga remunerada e implementação imediata
  • Lopes disse, após a aprovação das PECs na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que apresentaria uma emenda para incluir as propostas do governo na comissão especial

Passando somente uma regra geral para ser analisada no Senado, a Câmara teria mais tempo para discutir regras de transição e casos de cada segmento e pode, até mesmo, se antecipar às eventuais mudanças que o Senado possa fazer na PEC.

Além disso, integrantes da comissão especial temem que a má condição em que está a relação entre Alcolumbre e o governo possa respingar na proposta, a exemplo do atraso na tramitação da PEC da Segurança Pública, que está parada há mais de dois meses no Senado.

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Marinho defendeu que, além da PEC, a Câmara analise outros projetos de lei para tratar das regras de cada setor
O relator Leo Prates (Republicanos-BA) e o ministro Luiz Marinho
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública
O comparecimento de Marinho foi articulado pelo presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP)
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública
O ministro do Trabalho é ouvido pela Comissão Especial
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O ministro do Trabalho é ouvido pela Comissão Especial

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Marinho defendeu que, além da PEC, a Câmara analise outros projetos de lei para tratar das regras de cada setor
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Marinho defendeu que, além da PEC, a Câmara analise outros projetos de lei para tratar das regras de cada setor

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O relator Leo Prates (Republicanos-BA) e o ministro Luiz Marinho
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O relator Leo Prates (Republicanos-BA) e o ministro Luiz Marinho

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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública
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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública

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O comparecimento de Marinho foi articulado pelo presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP)
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O comparecimento de Marinho foi articulado pelo presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP)

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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública
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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, participa de audiência pública

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Projetos em discussão

Existem dois projetos em tramitação na Câmara mais consolidados que incluem regras de transição sobre a redução da jornada: o PL 67/25, relatado pelo próprio Leo Prates na Comissão de Trabalho, e o PL 1.838/26, protocolado pelo governo com urgência constitucional no começo do ano. Apesar de ambos coincidirem sobre as 40 horas semanais, eles diferem sobre a transição.

O PL relatado por Prates estipula que a transição para o fim da escala 6×1 seja gradual, com duas horas sendo reduzidas a cada biênio nos próximos quatro anos. A proposta ainda abre caminho para que, por acordo coletivo, setores possam instituir a escala 4×3, respeitando o limite máximo de 10 horas diárias, mantendo o teto semanal de 40 horas.

O projeto chegou a ser apresentado na Comissão do Trabalho da Câmara em 2025, mas nunca foi votado. Os termos colocados por Prates tiveram à época o apoio de sindicatos e movimentos sociais, em intermediação feita pela autora do projeto, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), uma das precursoras da discussão do modelo.

A proposta do governo, por outro lado, não estipula um período de transição para a redução da jornada de trabalho e especifica que a legislação deverá entrar em vigor na data da publicação. Esse ponto tem sido defendido pelo Planalto, que diz que a redução de quatro horas pode ser absorvida pelo mercado. Nos bastidores, porém, integrantes do governo admitem haver espaço para negociações.