Lula cita “bandidos” por trás de alta nos combustíveis e cobra governadores

Presidente diz que tem gente que quer “ganhar até com a miséria” e pediu ajuda de governadores para evitar impacto da guerra sobre alimentos

atualizado

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Ricardo Stuckert/Presidência da República
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1 de 1 Foto colorida de Lula e Gleisi - Metrópoles - Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar sobre o preço dos combustíveis, nesta quinta-feira (19/3), e chamou de “bandidos” quem tem cobrado mais pelo diesel, pelo álcool ou pela gasolina nos postos, por causa da guerra no Irã.

Ele também pediu aos governadores que reduzam alíquotas de ICMS e ajudem a evitar que o impacto do conflito chegue ao prato de comida dos brasileiros. As falas aconteceram durante uma agenda na zona norte de São Paulo.

“E veja que coisa grave: não aumentou só o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã. Aumentou o preço da gasolina, que ainda não tinha por que aumentar. Significa que neste país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres, até com a miséria dos outros”, disse Lula.

O presidente afirmou que o governo aumentou a fiscalização para coibir os aumentos abusivos que têm sido denunciados.

“Colocamos a Polícia Federal, a Receita Federal, os Procons, para ir atrás de ver quem é que está aumentando, de forma abusiva, o preço do diesel. Porque não é necessário aumentar [o preço] nas bombas do [combustível vendido ao] trabalhador. Não é possível transferir para o caminhoneiro o preço da guerra do Irã.”

Lula também destacou que o governo pediu aos estados para que zerem, temporariamente, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importação do diesel. Em contrapartida, a União propôs bancar metade da renúncia, que é estimada no total de R$ 3 bilhões por mês.

“Os governadores, Alckmin, poderiam fazer uma isenção do ICMS, poderiam fazer para não permitir o aumento. E o governo ainda se dispõe a devolver para ele metade da isenção que eles fizerem. Nós vamos pagar a metade. Vamos ver se eles vão fazer. Porque nós temos que fazer o sacrifício para tentar evitar que essa guerra do Irã chegue ao prato do feijão com arroz do povo brasileiro, ao café da manhã, à merenda de nossas crianças, é esse trabalho que nós temos que fazer”.

A ideia para que os estados zerem o ICMS foi proposta pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, nessa quarta-feira (18/3), durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Durigan será o novo ministro da Fazenda, no lugar de Fernando Haddad, que confirmou sua saída nesta quinta.

O governo busca conter a alta de preços em meio à guerra no Oriente Médio e evitar uma possível greve de caminhoneiros. A categoria tem reclamado do preço do combustível e ameaçado uma paralisação, alegando, também, que empresas não têm cumprido o piso mínimo do frete estabelecido pelo governo federal.

A gestão Lula prometeu endurecer a fiscalização das empresas que descumprem a regra. Na semana passada, o governo federal anunciou medidas para reduzir o impacto sobre o preço de combustíveis, como zerar as alíquotas do PIS e Cofins para o diesel.

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