Líder da Favela do Moinho tem liberdade provisória após mais de 1 ano presa
Alessandra Moja teve prisão preventiva substituída por medidas cautelares. Segundo investigação, ela cumpria ordens do irmão Leo do Moinho

São Paulo — O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) concedeu liberdade provisória a Alessandra Moja, líder da Favela do Moinho, no centro da capital paulista, presa desde 8 de setembro de 2025 por suspeita de cumprir e defender ordens do irmão, o traficante Leo do Moinho, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores publicada na última terça-feira (27/10) substituiu a prisão preventiva de Alessandra pelo cumprimento de medidas cautelares, considerando que ela é mãe de uma adolescente e um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA), necessitando de cuidados específicos.
“Tais circunstâncias, consideradas em conjunto com o efetivo e integral cumprimento de pena anterior, mas principalmente por questões humanitárias relacionadas à prole da acusada, reclamam neste momento a substituição da prisão por medidas cautelares diversas que permitam à mesma responder ao processo e, ao mesmo tempo, cuidar e apoiar seus filhos”, segundo consta na decisão.
As medidas cautelares impõem que Alessandra Moja está proibida de se ausentar da comarca onde reside sem autorização judicial prévia; deve comparecer na Justiça a cada dois meses e está proibida de se aproximar da região central da capital paulista.
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Alessandra Moja Cunha foi presa em setembro de 2025 no âmbito da Operação Sharpe, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Militar (PM) e Civil. Ela é irmã do traficante Leo do Moinho, apontado como uma das lideranças do PCC no centro de São Paulo.
A mulher foi presa junto a outras seis pessoas. De acordo com a polícia, ela se apresentava como líder comunitária mas agia para cumprir ordens e defender interesses do irmão, que, segundo as investigações, coordenava um quartel-general na Favela do Moinho.
Leo do Moinho foi preso em 2024 e acumula penas de 8 anos e 7 meses por integrar o PCC e participar do tráfico de drogas na região, além de 16 anos e 9 meses por participação na morte de um usuário de drogas que foi esfaqueado, desovado e queimado na favela.
A defesa da líder comunitária afirma que sua prisão foi política, amparada em laços familiares para sustentar vínculos delitivos e que não foram apontados quaisquer vítimas ou episódios de coerção de moradores, apontando que ela também foi torturada e teve provas forjadas contra si.
Disputa pela Favela do Moinho
A Favela do Moinho, localizada no centro da capital paulista, é palco de disputas entre diversas frentes, principalmente entre o governo de São Paulo, de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o governo federal, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O governador paulista deu início à demolição da favela em abril de 2025, intensificando os embates entre a PM e os moradores. Por conta disso, os dois governos chegaram em um acordo para oferecer imóveis totalmente subsidiados de até R$ 250 mil para cerca de 850 famílias que vivam no local.
Lula, porém, afirmou que o subsídio só seria possível devido a uma costura feita pelo governo federal para liberar verba ao projeto existente e criticou a atuação truculenta da polícia na comunidade. Já Tarcísio de Freitas criticou uma suposta demora e burocracia da liberação desta verba e chegou a dizer que daria continuidade ao projeto sem ajuda externa.
Como era a proposta de Tarcísio no começo:
- As famílias poderiam escolher imóveis novos ou usados, na região central ou em outros municípios, por meio de cartas de crédito da CDHU.
- O valor máximo era de R$ 250 mil para unidades no centro e R$ 200 mil para outras localidades.
- O governo oferecia R$ 2.400 para a mudança e auxílio-moradia mensal de R$ 800, mas os apartamentos seriam pagos pelos moradores, com financiamento equivalente a 20% da renda familiar.
Parte dos moradores, porém, afirmou ao Metrópoles que não teria condições de arcar com as parcelas.
Como ficou o projeto acordado pelo governo federal:
- O projeto oficial passou a prever imóveis de até R$ 250 mil, com subsídios de até R$ 180,5 mil do Governo Federal e R$ 70 mil do estado.
- As famílias podem escolher imóveis novos ou usados em qualquer município, com o pagamento feito diretamente ao vendedor.
- Para quem optar por unidades em construção, o auxílio-moradia pode chegar a R$ 1.200 mensais, sendo R$ 800 do Casa Paulista e R$ 400 da Prefeitura de São Paulo.
- O programa atende moradores que viviam na comunidade até 2 de novembro de 2024 e têm renda familiar bruta de até R$ 4.700.
Em 15 de setembro, o último morador da favela deixou a comunidade. O porteiro Manoel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, morava no local há mais de 20 anos e viu seu imóvel ser demolido por agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
Ao todo, 851 famílias foram cadastradas no plano de reassentamento conduzido pelo governo de São Paulo em parceria com o governo federal. Dessas, 645 já estão morando em imóveis definitivos.
Governo publica edital
Na última terça-feira (27/10), o governo de São Paulo publicou o edital para contratação da empresa responsável pela implementação do Parque do Moinho, no local onde antes era a Favela do Moinho. O valor do contrato é de R$ 41,3 milhões e os envelopes com as propostas devem ser entregues até 19 de novembro.
O terreno pertencia à União, mas foi cedido ao estado em julho deste ano para implementação do parque após o processo de reassentamento da comunidade. O Parque do Moinho, como foi batizado, será destinado a lazer e convivência social, segundo o governo paulista. Futuramente, a expectativa é de que uma nova estação de trem seja instalada no terreno ao lado.






















