Irmã de líder do PCC está entre presos em operação na Favela do Moinho
Alessandra Moja, irmã de Leo do Moinho, foi presa em operação deflagrada na Favela do Moinho, na manhã desta segunda-feira (8/9)
atualizado
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Uma operação prendeu, na manhã desta segunda-feira (8/9), a irmã do traficante Leo do Moinho, apontado com uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no centro de São Paulo. Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Monteiro Moja, foi o principal alvo da Operação Sharpe, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e as polícias Militar e Civil.
Outros seis envolvidos foram presos e 12 celulares apreendidos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), Alessandra se apresentava como líder comunitária, mas agia para cumprir as ordens e defender os interesses do irmão. Também foram detidos o homem apontado como sucessor de Léo do Moinho nas ações criminosas e o proprietário de um estabelecimento comercial utilizado para armazenar armas e entorpecentes na comunidade.
Além de Alessandra, os mandados de prisão preventiva cumpridos nesta segunda estão em nome de Jorge de Santana, Claudio dos Santos Celestino, Paulo Rogério Dias, Yasmim Moja Flores, José Carlos da Silva, Ronaldo Batista de Almeida, Reginaldo Terto da Silva, Ademario Goes dos Santos e Leandra Maria de Lima.
Alessandra Moja é presidente de uma ONG que diz representar as famílias da Favela do Moinho. No endereço da entidade, porém, a polícia já encontrou maconha, cocaína e crack que seriam destinados ao centro da capital. Além disso, ela já foi condenada e presa por participar de um homicídio – a vítima foi morta com vários golpes de faca.
A investigação aponta que Leo do Moinho coordena um quartel-general na favela, de onde controlava o tráfico na Cracolândia e monitorava sistemas de comunicação da polícia com a ajuda de uma milícia formada por guardas civis metropolitanos (GCMs). Ele foi preso no ano passado e acumula penas de 8 anos e 7 meses por integrar o PCC e participar do tráfico de drogas na região, além de 16 anos e 9 meses por participação na morte de um usuário de drogas, que foi esfaqueado, desovado e queimado na favela.
Leo do Moinho também foi denunciado no âmbito da Operação Salut et Dignitas, deflagrada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, em agosto de 2024, quando estava em liberdade condicional e voltou a ser preso.
Ameaças e cobranças
Reportagem do Metrópoles mostrou que moradores da Favela do Moinho relataram cobranças de até R$ 100 mil de proprietários de dezenas de casas na região caso aceitassem se mudar para apartamentos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
Os moradores estariam sendo coagidos a pagar uma “multa” ou vender, após alguns anos, seus apartamentos, e dividir o valor com os criminosos. Entre os donos dos imóveis, está Leo do Moinho.
O caso virou inquérito na Polícia Civil e também chegou ao conhecimento do Grupo de Combate ao Crime Organizado do MPSP, que já ofereceu seis denúncias por tráfico e organização criminosa contra líderes e outros integrantes do PCC na Favela do Moinho.
Disputa política
O governo federal anunciou, em maio, o financiamento conjunto com o Governo do Estado de São Paulo, um programa de moradias gratuitas para moradores da Favela do Moinho.
O acordo entre as duas gestões prevê a destinação de R$ 250 mil por família em subsídio. O montante virá do governo federal para a compra das casas. Ao todo, serão investidos R$ 220 milhões: R$ 160 milhões por parte do governo federal e R$ 60 milhões pelo estado.
Mesmo com a parceria para transferir as famílias à habitação social, os governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm travado uma disputa política em torno da questão da favela do Moinho.








