MC Ryan será solto da cadeia após habeas corpus concedido pela Justiça
Preso há cerca de um mês pela Operação Narco Fluxo, MC Ryan SP teve a liberdade concedida mas deverá cumprir medidas cautelares
atualizado
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Preso preventivamente desde abril no âmbito da Operação Narco Fluxo, o funkeiro MC Ryan teve a liberdade concedida pela Justiça Federal, nesta quarta-feira (13/5). O cantor é investigado em um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.
A decisão foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que concedeu habeas corpus ao artista e também a outros investigados.
Além da liberdade, a magistrada determinou uma série de medidas cautelares. Entre elas, a proibição de deixar o país sem autorização judicial e a entrega do passaporte às autoridades.
Na decisão da Justiça, a desembargadora estendeu ao funkeiro os efeitos de um habeas corpus já concedido na última segunda-feira (11/5) pela 5ª Turma do TRF-3 ao empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como “Rato”, ligado à produtora Love Funk e investigado no mesmo processo.
Rato também havia sido preso no âmbito da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A investigação mira suspeitos de integrar um esquema de movimentação financeira milionária supostamente ligado ao crime organizado.
Fintech de chineses
Segundo a investigação da Polícia Federal, o esquema de lavagem de dinheiro ligado ao funkeiro MC Ryan utilizava uma fintech administrada por imigrantes chineses para movimentar valores milionários vindo de bets ilegais, rifas clandestinas e outras atividades investigadas pela Operação Narco Fluxo.
De acordo com a PF, a empresa Golden Cat Processamento de Pagamento, criada em 2023 em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, teria movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão em apenas três meses, entre junho e agosto de 2024. A fintech concentrava operações ligadas principalmente a plataformas de apostas online e, segundo as investigações, não possuía autorização do Banco Central para funcionar.
Segundo os investigadores, a fintech teria sido usada para pulverizar e ocultar a origem dos valores movimentados pelo grupo, dificultando o rastreamento do dinheiro pelas autoridades. A PF apura se parte dos recursos circulava por contas ligadas a empresas de fachada e plataformas digitais usadas para apostas e rifas ilegais.
Outros envolidos
A decisão da Justiça Federal que concedeu liberdade ao funkeiro MC Ryan também acabou beneficiando outros investigados da Operação Narco Fluxo, entre eles o contador Mauro Jube de Assunção, apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis pela estrutura contábil usada no suposto esquema de lavagem de dinheiro.
A defesa do contador, no entanto, nega qualquer envolvimento dele no esquema. Em nota, os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro afirmaram que Mauro possui mais de 40 anos de atuação profissional, tem residência fixa, não possui antecedentes criminais e mantém uma “conduta ilibada”.
Os advogados também alegam que o nome e o registro profissional do contador teriam sido usados indevidamente por terceiros para a abertura de mais de 300 empresas sem o conhecimento dele. Segundo a defesa, Mauro não conhece e nunca trabalhou diretamente para os líderes investigados pela operação, incluindo MC Ryan SP.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participaram da operação e buscaram cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos. Seis pessoas seguem foragidas.
- De acordo com a PF, a ação ocorreu nas seguintes unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapasse R$ 260 bilhões, de acordo com decisão do juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação, estavam os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “Tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam, e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

















