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São Paulo

Juiz decreta prisão com base em carta encontrada na casa de fiscal

A prisão temporária de Artur Gomes da Silva Neto, auditor suspeito de receber R$ 1 bilhão em propina, foi convertida em prisão preventiva

Valentina Moreira, Ramiro Brites20/08/2025 20:39, atualizado 21/08/2025 12:26
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Reprodução/Redes sociais
Artur Gomes da Silva Neto, o auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de SP (Sefaz-SP) que foi preso na terça-feira (12/8) acusado de participar de um esquema bilionário de fraude tributária - Metrópoles

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 1.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de São Paulo, determinou a prisão preventiva do auditor Artur Gomes da Silva Neto, suspeito de receber R$ 1 bilhão em propina de empresas como Fast Shop e Ultrafarma, com base em uma carta escrita à mão apreendida na casa do fiscal.

Na decisão, o juiz atribui a carta a Artur e considera uma espécie de confissão. A carta fala em um pedido para “novas liberações de imposto”. O fiscal também teria dito que é “muito perigoso eu assinar outros documentos igual aos da outra vez e esses documentos serem descobertos por qualquer pessoa. Ninguém pode ver isso” e “não pode acontecer outra denúncia, não pode ninguém ver nada”.

Em outro trecho, a carta supostamente escrita pelo auditor fala em “guias do seu pai”, que teriam autorizado em outro momento “trabalhar com esse empresário”, o que teria gerado um “problema imenso”.

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Carta atribuída ao auditor Artur Gomes da Silva Neto
Carta atribuída ao auditor Artur Gomes da Silva Neto
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Carta atribuída ao auditor Artur Gomes da Silva Neto

Carta atribuída ao auditor Artur Gomes da Silva Neto
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Carta atribuída ao auditor Artur Gomes da Silva Neto

Segundo o juiz, “a referida carta demonstra confirma o esquema criminoso operado por Artur, além da intenção do fiscal em manter o sigilo para viabilizar a continuidade do esquema criminoso”.

O fiscal estava detido em prisão temporária e, na terça-feira (19/8), foi decretada a prisão preventiva do investigado.


Entenda o esquema

  • O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina, desde 2021, para manipular processos administrativos e adiantar créditos de ICMS-ST para empresas como a Ultrafarma e a Fast Shop.
  • A Smart Tax, empresa em nome da mãe do fiscal, Kimio Mizukami da Silva, teve um aumento patrimonial “absurdo”, de acordo com a representação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo a investigação, a empresa teve uma evolução patrimonial de R$ 411 mil para R$ 2 bilhões de 2023 a 2025.
  • O crédito recebido pelas empresas ainda foi vendido para outras empresas, como a Rede Nos, dona das lojas de conveniência Oxxo, e a Kalunga. O MPSP apura se essas empresas tinham conhecimento de que os créditos que compraram foram obtidos de forma irregular.
  • Os diretores das empresas foram detidos no dia 12/8 e ficaram presos até sexta-feira (15/8) em prisão temporária.
  • Nesta semana, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) revogou um decreto de julho de 2023 que simplificado o ressarcimento de ICMS. A medida pode ter facilitado o esquema, já que reduziu o número de servidores envolvidos nas operações.

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