Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Jovem morto com 27 tiros: família vê racismo em ação policial, diz advogada

Gustavo Munis de Santana foi sepultado nesta segunda-feira (12/10), após ser assassinado com 27 tiros por policiais militares em Moema

13/10/2026 02:30
Reprodução/ Instagram
Jovem morto com 27 tiros: família vê racismo em ação policial, diz advogada

São Paulo – A advogada Ana Facillia, que representa os familiares de Gustavo Munis de Santana, diz que a família do jovem vê racismo na ação policial que matou Gustavo com 27 tiros, no último sábado (10/10), em Moema, na zona sul de São Paulo.

“Não é a primeira vez que fazem uma abordagem violenta contra ele”, disse Facillia ao Metrópoles, nesta segunda-feira (12/10). Ela conta que a família de Gustavo contesta a versão da Polícia Militar, que associou os disparos contra o jovem a uma reação de legítima defesa.

Em nota no sábado, a Polícia Militar disse que Gustavo fez “menção de sacar uma arma” durante uma abordagem, “levando os policiais a intervir para repelir a injusta agressão”. O jovem, no entanto, não estava armado, nem tinha antecedentes criminais. O objeto que ele tinha em mãos era um celular.


Relembre o caso

  • Por volta das 2h35, policiais militares chegaram na Avenida Moreira Guimarães, 1.215, para atender a uma suposta ocorrência de tentativa de suicídio.
  • Segundo a nota inicial da PM, a equipe constatou que um indivíduo “havia saltado de uma ponte”. Na versão dos policiais, o homem fugiu a pé e fez “menção de sacar uma arma”, sendo baleado e morto pelos agentes.
  • A informação de que Gustavo teria saltado da ponte não aparece no boletim de ocorrência. O documento diz que o chamado para o ocorrência citava um homem “transtornado” e ameaçando atirar contra si próprio. Nesta versão, após a chegada dos policiais, o jovem atravessou a passarela correndo e foi até a Alameda dos Guaramoris, 1.285.
  • O boletim diz que a imagem das câmeras corporais mostram que, já na Alameda dos Guaramoris, Gustavo sai “de uma área escura, junto à fachada do imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua, onde estavam os policiais”.
  • Os PMs atiraram 45 vezes. Destes, 27 disparos atingiram Gustavo. Somente 4 disparos foram feitos na região das pernas. Os demais foram na região da cabeça, pescoço, tórax, braços, bacia e pelve.
  • Os agentes envolvidos no caso foram afastados das atividades operacionais. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar a conduta dos policiais.

“Nunca teve surto”

A advogada diz que Gustavo tinha depressão e fazia tratamento, “mas nunca teve surto psicótico e nenhuma tentativa de suicídio”. No sábado, ele teria saído para passear. A família soube do assassinato pela Polícia Militar, que ligou para uma das irmãs do jovem.

Na fachada do estabelecimento onde Gustavo foi baleado, é possível ver mais de 20 marcas de tiros espalhadas na parede e no portão. O chão está manchado de sangue. Até o momento, nem as imagens das câmeras corporais dos agentes, nem o vídeo da câmera de segurança do espaço foram divulgados.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP
Jovem morto com 27 tiros: família vê racismo em ação policial, diz advogada - destaque galeria
6 imagens
Policiais deram 45 tiros contra Gustavo
Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto
Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares
Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares
Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos
Marcas dos disparos nas paredes e portões do endereço onde Gustavo foi morto
1 de 6

Marcas dos disparos nas paredes e portões do endereço onde Gustavo foi morto

Jessica Bernardo / Metrópoles
Policiais deram 45 tiros contra Gustavo
2 de 6

Policiais deram 45 tiros contra Gustavo

Jessica Bernardo / Metrópoles
Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto
3 de 6

Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto

Jessica Bernardo / Metrópoles
Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares
4 de 6

Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares

Jessica Bernardo / Metrópoles
Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares
5 de 6

Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares

Jessica Bernardo / Metrópoles
Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos
6 de 6

Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos

Jessica Bernardo / Metrópoles

No bairro onde tudo aconteceu, funcionários de estabelecimentos próximos ainda comentavam o caso nesta segunda-feira (12/10) e procuravam explicações para a ação policial.

Gustavo foi velado e enterrado no Cemitério de Congonhas, também na zona sul, nesta segunda. Familiares e amigos acompanharam a cerimônia consternados.

Depois do sepultamento, a irmã de Gustavo, Beatriz Munis, publicou uma mensagem nas redes sociais: “Eu devia ter falado te amo mais vezes”, dizia o texto, que acompanha fotos dos dois juntos. Gustavo era o caçula da família e morava com a mãe e as duas irmãs mais velhas.

A empresa onde o jovem trabalhava, um estabelecimento de cuidados para animais de estimação, publicou um vídeo em que Gustavo aparece cercado de cachorros.

“Esse é o Gustavo que nós conhecíamos, um menino comprometido com seu trabalho. Levava os Dogs para as aulas de banho na unidade Santo Amaro, aguardava o dia todo os cães ficarem prontos. Nunca tivemos problemas algum com esse jovem que gostava de estar no meio dos animais. De uma forma cruel e injusta você foi levado, irmão! Que Deus faça justiça aqui na terra, e que cuide do coração dos seus familiares!”, diz o texto.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota no sábado (10/10), a Secretaria da Segurança Pública disse que todos os procedimentos durante e após a ocorrência serão apurados.

“A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor. As armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia. As imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ação também foram solicitadas para análise”, termina a nota.