Policiais militares são afastados após matar jovem com 27 tiros em SP
Pelo menos quatro policiais militares foram afastados por envolvimento em ação que matou jovem. PMs confundiram celular com arma

São Paulo — Ao menos quatro policias militares foram afastados de atividades operacionais, neste domingo (11/10), por envolvimento na morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos. O jovem foi encontrado morto com 27 tiros em Moema, na Zona Sul de São Paulo..
Segundo o Boletim de Ocorrência, obtido pelo Metrópoles, os agentes efetuaram 45 disparados contra o rapaz. Os policiais foram acionados para atender a uma ocorrência de tentativa de suicídio, mas atiraram contra o jovem.
Familiares informaram que Gustavo fazia uso de antidepressivos desde o ano passado. O boletim de ocorrência registra ainda que ele morava com a mãe e as irmãs e era descrito como “toxicômano”, sem especificar quais substâncias usava.

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Ver todasA ocorrência foi registrada às 2h35. A denúncia era de que o jovem estava transtornado e ameaçava atirar contra si mesmo, embora não tenha registros de que estivesse armado.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPOs policiais encontraram Gustavo sobre uma passarela na Avenida Moreira Guimarães, onde, conforme o relato dos agentes, ele colocava a mão na cintura, em “postura ameaçadora”. O jovem teria corrido pela passarela e seguido até a Alameda dos Guaramomis, onde se abrigou ao lado de um imóvel na altura do número 1.285.
Outras três viaturas foram enviadas ao endereço. Oito policiais participaram da abordagem.
Os agentes afirmaram que Gustavo saiu da área escura onde estava e estendeu os braços na direção deles, segurando um objeto escuro. Era um celular. Os policiais abriram fogo, e um dos soldados disparou 14 vezes contra o jovem.
Câmeras corporais
A equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que foi até o local, recolheu as câmeras corporais dos PMs. Foi solicitada a visualização ao encarregado da ocorrência.
“Tivemos acesso e o que se observou foi o seguinte: o indivíduo surge vindo de uma área escura, junto à fachada do imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua, onde estavam os policiais”, diz o texto do B.O.
Além das câmeras corporais dos PMs, a equipe apontou a existência de outras câmeras de vigilância na região da ocorrência e coletou dados de pessoas de interesse.
Segundo o B.O., o rapaz não tinha antecedentes criminais. O caso foi registrado como resistência e homicídio (morte decorrente de intervenção policial).
