Irmã ferida em ataque que matou ex-deputado do PT presta depoimento
A mulher falou com o delegado do caso por cerca de 15 minutos. Ela é filha de Paulo Frateschi, ex-deputado do PT, assassinado nesta quinta
atualizado
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A irmã de Francisco Frateschi, detido após matar o pai e ex-deputado do Partido dos Trabalhadores (PT) Paulo Frateschi a facadas, prestou depoimento no 91° Distrito Policial na tarde desta quinta-feira (6/11).
A mulher chegou acompanhada de advogados com a mão enfaixada. Ela quebrou um dos dedos das mãos. O depoimento durou cerca de 15 minutos e foi liberada.
A esposa de Paulo Frateschi teve um dos braços quebrado, deu entrada na UPA municipal da Lapa e deve ser transferida ao Hospital das Clínicas.
Francisco também foi levado para a mesma unidade de saúde, mas foi sedado e ainda se encontra no local. Posteriormente, ele deve ser encaminhado ao 91° DP, que registra a ocorrência
Francisco mora em Paraty (RJ), e estava em São Paulo desde o fim de outubro para um tratamento psiquiátrico. Amigos e familiares relataram que ele vinha apresentando instabilidade emocional e fazia uso de medicação controlada. Segundo conhecidos, ele era o filho mais próximo de Paulo, com quem mantinha um vínculo afetuoso.
Como foi o crime
Segundo a Polícia Militar (PM), agentes foram acionados para atender uma ocorrência em que um homem em surto atacara o próprio pai com golpes de arma branca na Vila Ipojuca, zona oeste da capital. De acordo com o boletim de ocorrência, ele foi atingido no abdômen.
A mãe do rapaz tentou intervir e sofreu ferimentos. A irmã de Francisco também foi ferida. O ex-deputado entrou em parada cardiorrespiratória, foi socorrido e encaminhado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.
Paulo Frateschi, que foi deputado estadual entre 1983 e 1987, também foi presidente estadual do PT em São Paulo. O partido lamentou a morte.
Quem foi Paulo Frateschi
- O ex-deputado estadual e ex-presidente do PT em São Paulo, Paulo Frateschi fez parte da fundação do partido e concorreu a cargos eletivos desde o fim da ditadura militar.
- Nos últimos anos, segundo petistas, Frateschi estava um pouco afastado da política partidária.
- Na virada do século, Frateschi era presidente do PT paulista.
- Entre 1983 e 1987, foi deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
- No ano seguinte, em 1988, ele foi candidato a vereador na capital paulista.
- Durante a gestão de Marta Suplicy (2001-2005), na prefeitura de São Paulo, Frateschi foi secretário de Relações Governamentais, mesma pasta em que também foi titular na gestão do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, em 2014.
- Paulo Frateschi foi preso e torturado durante a Ditadura Militar em 1969, aos 19 anos, quando era militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
- Em um relato feito à Agência Pública, ele contou sobre quando foi levado à sala do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos símbolos da tortura no país. “Fleury xingava, falava palavrões. Repetia ‘Porra! Bosta! e cuspia’. Logo pensei: Putz, vai começar tudo de novo [tortura]. De repente, ele olhou fixo pra mim e falou: ‘O merda do juiz mandou te soltar. Se alguém te procurar, você vai voltar aqui e me contar!’”.
Fundador do PT
Paulo Frateschi foi um dos signatários da fundação do PT, no Colégio Sion, junto a Lula. Em um podcast, Frateschi detalhou que rodou quase todo o Brasil com Lula em 2018, durante caravanas pelo Brasil. Lula era alvo da operação Lava Jato e acabou sendo preso antes que a caravana rodasse pela região Norte. Durante a passagem por Florianópolis, a caravana foi atacada e Frateschi foi atingido na orelha, que ficou ferida.
Ele contou ter feito a campanhas petistas do PT em 2020 e 2022 no estado de São Paulo. “Voltei, fiz a campanha de 2020, com os prefeitos, vereadores. E agora ele [Lula] me chamou para fazer um pouco a harmonização da agenda do Haddad e a dele o estado de São Paulo”, disse.
Ele teve um relacionamento com Beatriz Pardi, que também foi deputada estadual. O filho que esfaqueou Frateschi, porém, é do atual casamento de Paulo com Yolanda Maux Vianna. Atualmente, Frateschi morava em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro.















