TJSP arquiva inquérito contra motoboy baleado na Operação Escudo
Evandro Alves da Silva estava nu e desarmado no banheiro quando foi alvejado por PMs durante a Operação Escudo, em Santos, em agosto de 2023
atualizado
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou o arquivamento do inquérito instaurado contra o motoboy Evandro Alves da Silva, de 44 anos. Ele foi baleado no dia 30 de agosto de 2023 por três policiais militares (PM) durante a Operação Escudo, em Santos, no litoral de São Paulo.
Motoboy baleado nu e desarmado
Na ocasião, o motoboy se encontrava nu e desarmado em um banheiro de seu local de trabalho quando foi alvo de tiros.
Os PMs invadiram um imóvel alugado por Evandro, usado como ponto de apoio para mototaxistas no Morro José Menino, na Baixada Santista.
A Operação Escudo visava, segundo o governo estadual, “restabelecer o controle da ordem pública” nas cidades da região após a morte de um policial militar da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota).
Na época, os policiais alegaram estar em patrulhamento no morro, quando diversos suspeitos correram para uma viela após avistarem a viatura.
Eles, então, desceram do veículo e teriam visto Evandro armado pela janela de um imóvel, momento em que dispararam algumas vezes contra o motoboy.
O inquérito policial aponta que, mesmo baleado, o motoboy, que estava nu e assustado, ainda tentou fugir pela janela do banheiro e pulou de uma altura de sete metros, momento em que caiu e foi novamente atingido.
Arma plantada
Apesar disso, ele passou a ser investigado por resistência e porte ilegal de arma de fogo, sob a alegação dos policiais de que teria tentado fugir durante a abordagem policial. Evandro foi preso em flagrante e ficou internado em estado grave.
A Comissão Permanente de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) solicitou as imagens captadas pelas câmeras corporais dos PMs e encaminhou o material ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A Promotoria revelou que a arma supostamente pertencente a Evandro teria sido plantada no local após os disparos efetuados pela PM.
Na última quarta-feira (17/12), após manifestação do MPSP, a juíza Andrea Aparecida Nogueira Amaral Ronan, da Vara do Júri e Execuções Penais de Santos, determinou o arquivamento do inquérito contra o entregador.
Em setembro deste ano, o MPSP denunciou os três PMs por tentativa de homicídio.
