Condenado a 45 anos, “Sniper do tráfico” deu inicio a Operação Escudo
Erickson David da Silva, de vulgo Deivinho, foi condenado pelo homicídio do soldado da Rota, Patrick Reis. Morte levou à Operação Escudo
atualizado
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Erickson David da Silva, conhecido pelo vulgo de Deivinho, foi condenado a mais de 45 anos de prisão pela morte do soldado Patrick Bastos Reis, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. A morte do policial militar (PM) foi responsável por deflagrar a Operação Escudo na Baixada Santista, litoral de São Paulo.
A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri, na Justiça do Guarujá, na madrugada da última sexta-feira (29/8) e ainda cabe recurso por parte da defesa. Além de Deivinho, foram julgados Marco Antônio de Assis Silva, vulgo Mazaropi, e Kauã Jazon da Silva.
Kauã foi condenado apenas pelo crime de associação para o tráfico e deverá cumprir três anos de prisão e o pagamento de 700 dias-multa, em regime inicialmente aberto. Já Mazaropi foi absolvido de todas as acusações.
Detalhes da condenação
- Segundo a Justiça, Erickson David foi o autor dos disparos que mataram o soldado da Rota Patrick Bastos Reis. A sentença cita que a morte do policial deixou uma “família enlutada e exposta à orfandade”.
- Além disso, a decisão também imputa três crimes de tentativa de homicídio a Deivinho. Em um deles, um dos agentes, chamado Fabiano Marin, teve a mão esquerda gravemente ferida e o trabalho afetado, “repercutindo negativamente na carreira do militar”.
- A Justiça também afirmou que os maus antecedentes do réu pesaram contra na condenação.
- Na soma de todos os crimes, Deivinho foi condenado a 45 anos, dois meses e 22 dias de prisão, e o pagamento de 1416 dias-multa. O cumprimento da pena deve ser feiro em regime fechado.
1ª morte de PM da Rota desde 1999 motivou Operação Escudo
A morte de Patrick, a primeira de um PM da Rota em serviço desde 1999, motivou a primeira Operação Escudo. Somente no segundo semestre daquele ano, a ação policial foi deflagrada 38 vezes.
Junto com a Operação Verão, as duas ações policiais causaram alta nas mortes na Baixada Santista, como mostrou o especial Baixada Sangrenta, série do Metrópoles indicada ao Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo.
De acordo com números oficiais, 84 pessoas foram mortas nas duas operações. Em julho deste ano, o MPSP encerrou as investigações sobre o caso, mantendo o arquivamento dos inquéritos que investigavam possíveis excessos por parte de agentes da segurança pública.
Mais um PM da Rota morto
Na última quarta-feira (27/8), a Justiça de São Paulo havia condenado Kaique Coutinho do Nascimento a 24 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo. A decisão foi definida por júri popular, após um julgamento de sete horas no Fórum de Santos, litoral de São Paulo.
A vítima foi o PM Samuel Wesley Cosmo, que morreu em fevereiro de 2024, após ser ferido com um tiro no rosto durante patrulhamento em Santos. De acordo com a Polícia Militar (PM), o soldado estava acompanhado de sua equipe e foi surpreendido pelo criminoso em um beco.
Kaique Coutinho do Nascimento, de 21 anos, foi preso alguns dias após o crime em Uberlândia, interior de Minas Gerais.


















