Documentos indicam imóveis inflados para turbinar patrimônio do Master

Ações judiciais contra Daniel Vorcaro e empresas ligadas a ele sugerem o uso de imóveis para maquiar patrimônio e supervalorização de bens

atualizado

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vorcaro preso
1 de 1 vorcaro preso - Foto: Arte/Metrópoles

Documentos apresentados em ações judiciais envolvendo Daniel Vorcaro indicam o uso de imóveis com valores inflados com o objetivo de maquiar o patrimônio do grupo econômico do banqueiro, incluindo o Banco Master.

A dinâmica lembra o uso de créditos podres constatado na compra do Master pelo BRB, banco estatal de Brasília, e o uso de imóveis superfaturados para lastrear fundos suspeitos de fraude, ambos objeto de investigação da Polícia Federal (PF).

A suspeita de fraudes bancárias bilionárias levaram Vorcaro à prisão em novembro de 2025. O banqueiro deixou a cadeia após 11 dias, mas voltou a ser preso neste mês, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Ele nega os crimes.

Imóveis inflados

Uma ação judicial relativa a uma dívida que envolve Daniel Vorcaro descreve um suposto esquema de uso de valores inflados de imóveis. Além disso, documentos de um imóvel de luxo em São Paulo, parte de outro processo, também sugerem que uma empresa do grupo econômico do dono do Master comprou um apartamento superfaturado.

As acusações do uso de preços inflacionados para maquiar fundos de investimento estão em uma ação movida pelo empresário Yan Hirano, contra Vorcaro, empresas e pessoas ligadas a ele. A dívida inicialmente tinha relação com prejuízos após investimentos feitos com empresário Benjamin Botelho, apontado como operador de Vorcaro.

Segundo o processo, Vorcaro foi incluído na negociação para o pagamento da dívida, que seria quitada por meio de R$ 16 milhões em imóveis que faziam parte do patrimônio do Banco Máxima, comprado por Vorcaro em 2019 e, posteriormente, transformado no Master.

Antes de chegar ao credor, os imóveis passaram por uma intrincada teia de transações em maio de 2020. Foram comprados do Banco Máxima por um fundo, que repassou pelo mesmo valor para uma empresa e esta, finalmente, fez o processo de dação dos imóveis por um valor menor a um fundo de Yan Hirano.

“Disso se nota que as transações havidas entre as sociedades de Vorcaro e o fundo de Botelho foram precificadas de modo consideravelmente inflado (pois as dações em pagamento se deram em valor substancialmente inferior); e que as operações entre o banco, o FII e a empresa foram praticamente “fictícias”, diz a ação. “A prática é uma gritante red flag – e, certamente, pode ter sido utilizada para ‘justificar’ ganhos ou investimentos irreais”.

A ação traz uma lista de 27 imóveis em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um deles, por exemplo, teria saído do patrimônio do Máxima por R$ 1,2 milhão e transferido por R$ 645 mil ao credor final.

A peça também aponta a supervalorização no caminho inverso – imóveis transferidos por Yan para Botelho que chegavam ao Banco Máxima pelo triplo do preço, em um período em que Vorcaro ainda não tinha ligação com a instituição. Um deles teria sido repassado por R$ 3 milhões e depois alienado para o Máxima como garantia de uma dívida de R$ 9 milhões.

“Em ambos os casos, há uma inexplicável e vertiginosa ‘valorização’ do imóvel em pouquíssimo tempo. Ao que tudo indica, para maquiar a carteira de ativos do fundo”, diz a ação movida por Yan.

Apartamento de luxo

O processo do credor Yan é um pedido de produção de provas de abril de 2025, exigindo uma série de documentos devido a um suposto saldo não liquidado. “É necessário analisar toda a ‘cadeia’ que sai da integralização dos imóveis na aquisição das quotas dos fundos de Botelho e vai até as infladas garantias e transações do Banco Master e de Vorcaro”, afirma a peça.

Entre as partes acionadas, também está a empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que tamém está preso. Em outra ação judicial, o Metrópoles localizou um exemplo de valorização “relâmpago” de imóvel que lembra os exemplos citados na ação relativa a cobrança da dívida.

Um imóvel em um prédio de luxo no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo, foi comprado por um fundo por R$ 15,4 milhões, em 2023. Um ano depois, segundo uma matrícula anexada a um processo judicial de cobrança de condomínio, o imóvel foi vendido à Super Empreendimentos por R$ 43,7 milhões. O documento faz parte de uma cobrança de parcelas de condomínio no valor de R$ 99 mil.

A prática de supervalorização de ativos é constantemente atribuída aos negócios de Vorcaro. No caso da compra do Master pelo BRB, por exemplo, autoridades apontaram suspeita do repasse de créditos podres. Depoimento de Daniel Vorcaro à PF revelou a compra de ações por R$ 6,7 bilhões e, quase imediatamente, a venda por R$ 12,2 bilhões ao BRB.

Um outro imbróglio relativo ao Master se trata de processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo cotas do fundo Brazil Realty, em 2018. Nesse caso, a apuração era de suposta fraude na integralização de imóveis superfaturados.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não vai se manifestar sobre as acusações que constam do processo contra ele. A reportagem não localizou Benjamin Botelho – o espaço segue aberto para manifestações.

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