Homofobia: após acordo com MPSP, jornalista será punida com ações educativas
Adriana Ramos chegou a ser presa no ano passado após homofobia em shopping na zona oeste de São Paulo

A Justiça de São Paulo homologou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) feito entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a jornalista Adriana Ramos, que foi flagrada cometendo homofobia, duas vezes seguidas, em junho do ano passado. Adriana chegou a ser presa, em flagrante, após um ataque homofóbico contra um homem no Shopping Iguatemi, na zona oeste de São Paulo, e, no dia seguinte, ela foi flagrada novamente em outros ataques homofóbicos contra os vizinhos do prédio em que mora.
O MPSP entendeu que os dois casos estavam conectados e eles foram analisados em conjunto. Ao final do inquérito, foi celebrado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), posteriormente homologado pela Justiça.
“Nenhuma quantia é capaz de compensar integralmente a violência, a humilhação e os impactos emocionais decorrentes da LGBTfobia”, afirmou Gustavo Leão, uma das vítimas de Adriana. “Mais importante do que qualquer aspecto financeiro é o reconhecimento institucional dos fatos, as medidas previstas em lei e a implementação de medidas capazes de gerar reflexão, aprendizado e transformação social”.
Entre as obrigações do acordo, estão: a participação em cursos e atividades formativas sobre direitos da população LGBTQIAPN+, participação em ações educativas e iniciativas de interesse social relacionadas ao enfrentamento da discriminação. Além disso, Adriana deverá pagar uma indenização às vítimas, mas o valor não foi divulgado.
Ataque homofóbico em shopping
A jornalista Adriana Ramos foi flagrada por testemunhas chamando o gerente de projetos Gabriel Galluzzi, de 39 anos, de “bicha nojenta” e “assassino”. As imagens não mostram Gabriel, nem o início da confusão, mas é possível ouvir a jornalista proferir algumas das ofensas citadas.
Veja:
À época, o Shopping Iguatemi lamentou a ocorrência entre os dois clientes, esclareceu que prestou todo o apoio necessário e disse que seguia à disposição das autoridades competentes.
O empreendimento reforçou que “o respeito à diversidade — em todas as suas formas — é um valor inegociável” e que repudia qualquer ato de discriminação e intolerância.
Quem é a jornalista
Adriana Catarina Ramos de Oliveira tem 61 anos e é mãe de duas filhas.
A comunicadora começou a carreira no rádio, depois foi para a TV, passando pelos departamentos de telejornalismo da Rede Globo, TV Cultura, Record TV, entre outras emissoras. Segundo Adriana, durante quase 10 anos, ela investigou a espiritualidade e sua influência nas pessoas. E também manteve um blog sobre viagens.
Adriana Catarina Ramos de Oliveira é autora de dois livros: “Uma Prova do Céu” e “Cartas Celestes”.

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