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São Paulo

Mulher resgatada em SP trabalhava para mesma família desde os 12 anos

Trabalhadora doméstica foi entregue pelo pai aos patrões em 1977 e resgatada em Bragança Paulista após 49 anos sem folgas e pagamento

15/06/2026 13:55, atualizado 15/06/2026 14:09
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Divulgação/Ministério Público do Trabalho
Imagem colorida mostra mulher resgatada de trabalho análogo à escravidão. Metrópoles

A mulher de 62 anos resgatada após cinco décadas em situação análoga à escravidão trabalhava desde os 12 anos para a mesma família em Bragança Paulista, interior de São Paulo. Segundo a fiscalização, ela não tinha folgas ou acesso aos pagamentos.

A trabalhadora doméstica foi entregue aos patrões pelo próprio pai em 1977, sob a promessa de que ela seria criada e estudaria. A vítima, no entanto, foi retirada da escola e permaneceu analfabeta.

Durante um período, a mulher chegou a ter a carteira de trabalho assinada e recebeu valores a título de salário, mas as autoridades destacaram que ela não tinha controle sobre o dinheiro. Após a aposentadoria, em 2015, ela continuou trabalhando de forma ininterrupta, sem receber qualquer pagamento. O dinheiro da aposentadoria, segundo as autoridades, era usado pelos patrões para pagar despesas da casa.

A fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) constatou que a trabalhadora viveu praticamente sem vida social ou familiar. Nas poucas vezes em que visitou parentes, os encontros tiveram curta duração e foram vistoriados pela patroa.

O caso ficou ainda mais grave nos últimos anos, quando a mulher passou a cuidar integralmente da empregadora, idosa e acamada. Segundo os auditores fiscais, o isolamento era reforçado por mecanismos de coerção psicológica e a vítima acreditava que, caso deixasse a residência, a patroa poderia morrer. Ela relatou que dormia no quarto da idosa e passava noites em claro, mesmo doente e sem acesso a tratamento médico. A vítima se emocionou com a chegada das autoridades e contou que estava há um mês sem lavar o cabelo e há quatro meses sem sair da residência.

Após o resgate, a Inspeção do Trabalho determinou o afastamento da vítima. Foi calculada uma rescisão de aproximadamente R$ 1,7 milhão, incluindo verbas salariais, férias, 13º salário e uma indenização por danos morais.

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