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São Paulo

Homem confundido com carrasco do PCC é solto após quase 2 meses preso

Adadilton Candido da Silva Barreto, de 33 anos, acusado de participar de "tribunais do crime" do PCC, foi confundido com outra pessoa

, , 03/06/2026 16:19, atualizado 03/06/2026 19:43
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Polícia Civil/Reprodução
Adadilton Candido da Silva havia sido preso por engano em abril

A Justiça de São Paulo (TJSP) revogou a prisão do síndico Adadilton Candido da Silva Barreto, de 33 anos, que havia sido preso em abril após ser confundido como membro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi proferida na última segunda-feira (1º/6).

Adadilton havia sido preso no dia 14 de abril, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, acusado de atuar como torturador e carrasco pela facção nos chamados “tribunais do crime” — em particular, no caso da jovem Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, que desapareceu pouco depois do réveillon.

Conforme o processo, acessado pelo Metrópoles, a polícia havia chegado a Adadilton em função de ele ter recebido uma transferência de R$ 30 via Pix, realizada por outro réu que também foi detido.

De acordo com o Ministério Público (MPSP), a confusão foi percebida após a polícia identificar o suspeito correto: André Santos de Araujo, conhecido como “Da7”.

Em nota ao Metrópoles, a Polícia Civil diz que “não houve erro de identificação, mas sim o regular desenvolvimento de uma investigação complexa, que foi sendo aprofundada ao longo das diligências. Segundo apurado, o indivíduo citado não era o investigado conhecido como “DA7”, mas se passava por ele e forneceu sua conta bancária para uso pelo verdadeiro autor, atuando de forma consciente para auxiliá-lo.”

De acordo com a corporação, “quando de sua prisão inicial, o investigado não negou a utilização do apelido, tampouco apresentou elementos que afastassem sua vinculação naquele momento. No entanto, com o avanço das investigações, especialmente por meio de análises telemáticas e de dados extraídos de aparelhos celulares, foi possível identificar que a linha telefônica vinculada ao grupo criminoso permaneceu ativa, o que levou à correta identificação do verdadeiro “DA7”.
A partir desse aprofundamento técnico, foi possível localizar e prender o real autor dos fatos, comprovando-se que o primeiro indivíduo atuava como intermediador, cedendo seus dados para dificultar a atuação policial.”

“Dessa forma, embora tenha havido a revisão de medidas cautelares em relação a esse investigado, sua participação no crime permanece caracterizada, razão pela qual ele foi indiciado e responderá pelos atos e pelo envolvimento na prática criminosa, conforme apurado no inquérito policial”, ressalta a polícia.

“Quanto às razões da soltura, a Polícia Civil esclarece que eventuais decisões judiciais ou manifestações ministeriais devem ser esclarecidas pelos respectivos órgãos, podendo estar relacionadas à avaliação da participação de menor gravidade. A Polícia Civil reforça que a conduta do investigado, ao fornecer seus dados de forma consciente para auxiliar o verdadeiro autor, não apenas contribuiu para o crime, como também representou tentativa de dificultar as investigações, circunstância que foi devidamente identificada e superada pelo trabalho técnico da investigação”, finaliza a nota.

Relembre o caso de Maria Eduarda

Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, havia se mudado de Curitiba, capital do Paraná, para o Guarujá há pouco mais de três meses. Ela estava morando com o namorado e o casal foi sequestrado por integrantes do PCC, pouco depois do réveillon, conforme informou o rapaz, em depoimento à polícia.

Ambos tinham passagem por tráfico de drogas. A polícia aponta que a jovem integrava o Comando Vermelho (CV), e que o rapaz não era faccionado.

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Fotos publicadas por Maria Eduarda nas redes sociais
Fotos publicadas por Maria Eduarda nas redes sociais
Maria Eduarda fazia alusões ao CV nas redes sociais
Nos endereços de cumprimento dos mandados, a polícia identificou faixas instaladas que remetem aos “salves” dados pelo PCC à comunidade
Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, estava desaparecida desde 2 de janeiro
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Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, estava desaparecida desde 2 de janeiro

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Fotos publicadas por Maria Eduarda nas redes sociais

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Maria Eduarda fazia alusões ao CV nas redes sociais

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Nos endereços de cumprimento dos mandados, a polícia identificou faixas instaladas que remetem aos “salves” dados pelo PCC à comunidade
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Nos endereços de cumprimento dos mandados, a polícia identificou faixas instaladas que remetem aos “salves” dados pelo PCC à comunidade

Polícia Civil de São Paulo

Nas redes sociais, Maria Eduarda publicava imagens (veja acima) portando armas de fogo e utilizando balaclava, nome da máscara que cobre parcialmente o rosto e é comumente usada em ações criminosas.

Em uma das publicações, há uma alusão clara ao CV: dois revólveres estão posicionados em uma mesa junto a um carregador e diversos projéteis que formam as letras C e V, além da expressão “TD [tudo] 2”, que faz referência à facção.

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