Governo Lula "trava" R$ 8 bilhões em investimentos nos trens de SP
Assinatura do governo federal é necessária para que os recursos sejam liberados para obras de extensão e modernização das linhas de trem

Cerca de R$ 8,5 bilhões de reais em investimentos do governo de São Paulo estão travados para análise do governo federal. Os valores são para pedidos de financiamento e crédito para obras de expansão do transporte por trilhos, como as das linhas 4-Amarela e a 5-Lilás da Motiva, além de melhorias nos sistemas das linhas 2-Verde do Metrô e 8-Diamante e 9-Esmeralda.
Um dos que aguarda liberação do governo Lula envolve o pedido feito pelo governo de São Paulo no ano passado ao Banco Mundial (BIRD). São US$ 250 milhões (R$ 1,27 bi, em reais) para a extensão da Linha 2-Verde, com o pedido feito em janeiro, e outros US$ 400 milhões (R$ 2,04 bi, em reais) para a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, em maio.
O Conselho do BIRD já liberou os financiamentos e ambos foram encaminhados para aprovação do governo federal, mas ainda depende da Casa Civil. Pela lei, para que a tramitação do repasse seja concluída, é necessário uma assinatura do governo federal, que é o garantidor do contrato.
Segundo uma carta enviada pelo Banco Mundial, a análise da documentação não teve andamento desde setembro de 2025 até fevereiro de 2026. Os projetos já tramitaram em âmbito federal, incluindo o Pedido de Verificação de Limites e Condições (PVL) pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e de pareceres pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgãos vinculado ao Ministério da Fazenda, que tinham validade até abril deste ano. Para que o contrato seja efetivado, novos pareceres precisam ser elaborados pela pasta.
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Ver todasA documentação já foi solicitada pelo governo de São Paulo, mas os prazos de assinatura dos contratos devem ser encerrados no próximo dia 18 de agosto para a extensão da Linha 2-Verde e em dezembro deste ano para a linha 4-Amarela.
Há ainda outros pedidos de crédito que ainda aguardam assinar e deliberação dos termos do financiamento por parte do governo federal: R$ 962,8 milhões para expansão da Linha 5, R$ 2,26 bilhões para a Linha 6 e R$ 266,5 milhões para ampliação e otimização das linhas 8 e 9, com o Banco do Brasil e outros R$ 1,73 bilhão para a obra da Linha 5 com a Caixa Econômica Federal.
O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) também não liberou o apoio financeiro solicitado pela gestão Tarcísio para as obras do Túnel Imerso Santos-Guarujá e para a Linha 6-Laranja do Metrô. Em agosto do ano passado, o BNDES afirmou que o governo de São Paulo deveria priorizar considerando o “montante expressivo de financiamentos aprovados para o Estado de São Paulo desde 2023, que totalizam aproximadamente R$ 13,9 bilhões”.
No entanto, o banco chegou a liberar R$ 3,2 bilhões voltados para a obra do Trem Intercidades Campinas, em março, e outros R$ 2,4 bilhões para as obras civis da Linha 2, de uma medida assinada em 2024, enquanto o Túnel Santos-Guarujá recebeu aporte após a assinatura do crédito de quase R$ 2,6 bi em abril deste ano com o Banco do Brasil.
Procurada pelo Metrópoles, a Casa Civil informou, em nota, que “todos os processos submetidos à análise seguem os trâmites administrativos e técnicos previstos. Após a conclusão dessa etapa, os processos são encaminhados para as instâncias subsequentes, conforme os procedimentos legais aplicáveis”.
Já o Ministério da Fazenda não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto.
Ainda assim, as obras que devem levar a Linha 4-Amarela até Taboão da Serra continuam em andamento. Já o contrato aditivo que vai permitir que a Linha 5-Lilás chegue até a região do Jardim Ângela não foi assinado. A obra foi autorizada pela Prefeitura em 2024.
Investimentos travados na capital
Na última sexta-feira, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobraram de Flávio Bolsonaro (PL) um compromisso de que, caso eleito, o senador libere cerca de R$ 12 bilhões em recursos que estariam parados na Casa Civil do governo federal. A fala aconteceu durante um café da manhã organizado por Nunes, que reuniu vereadores da capital paulista, apoiadores de Flávio e do governador.
Segundo relatos, Nunes foi quem levantou o tema na conversa. Ele afirmou que cerca de R$ 4 bilhões tomados em empréstimos pela prefeitura estariam há meses “parados” na Casa Civil de Lula. Tarcísio completou dizendo que o governo estadual sofre do mesmo problema, sendo pouco mais de R$ 8 bilhões travados.
A leitura do grupo é que há uma perseguição do governo Lula a São Paulo por questões políticas. Nunes e Tarcísio são vocais opositores do petista. Durante o encontro, Flávio afirmou que o presidente “se vinga” da cidade e do estado de São Paulo.



